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Introdução
A educação é o processo de integrar o ser humano para o autoconhecimento e para a
transmissão dos valores morais, culturais e cívicos que sustentam a sociedade, configurando-
se como um importante aliado contra o determinismo social (Marques & Oliveira, 2016).
Partindo desse conceito, a Educação Ambiental (EA) surge como uma estratégia de ensino-
aprendizagem, com objetivo de consolidar nos sujeitos, através de um processo pedagógico
social, participativo e permanente, responsabilidades e atitudes perante ao meio ambiente em
qual vive (BRASIL, 1999).
Corroborando com os princípios da EA, a Educação do Campo (EC) parte dos
interesses sociais, políticos e culturais, tendo em conta as singularidades de sua própria
existência, assim como de seus contextos de vida (Baptista, 2014). Ambas, segundo Freire
(2001), Gadotti (2003) e Brandão (2006), defendem uma educação na qual sujeito seja
respeitado e ouvido, onde os currículos e conteúdos trabalhem a realidade concreta vivida
pelos povos do campo, tornando-se agentes ativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
A EA pode ser aplicada na EC de forma integrada, transversal, interdisciplinar e
multidisciplinar (Barbosa & Araújo, 2016; Hage et al., 2018; Sousa et al., 2018). Cooperando
não apenas para manutenção e equilíbrio do meio físico e ecológico do meio ambiente, mas
também, para a construção de conhecimentos, hábitos e comportamentos socioambiental
(Oliveira et al., 2019).
Apesar das importâncias que ambas possuem para o ensino-aprendizagem dos
estudantes, diversos estudos revelaram que a EA não vem sendo utilizadas de forma efetivas
pelos docentes das escolas do/no campo (Zuchini et al., 2013; Sanches & Moreira, 2019;
Miranda 2017; Silva et al., 2019; Sammarco et al., 2020). Principalmente, nas escolas
localizadas na Amazônia, onde os problemas ambientais influenciam diretamente na
conservação e usos sustentáveis dos ecossistemas (Oliveira et al., 2019; Cardoso et al., 2021).
Neste contexto, o município de São Caetano de Odivelas, no Estado do Pará, Brasil,
está localizado em uma região litorânea. Suas principais atividades econômicas giram em
torno da pesca (Cruz et al., 2018) e da ostreicultura (Lima, 2015), além da prática da
agricultura familiar. A subsistência das comunidades locais é garantida através dos rios,
praias, igarapés e mangues (Reis et al., 2020). Porém, esses ambientes vêm sendo submetidos
a fortes impactos ambientais em níveis crescentes (Maia et al., 2019). O desmatamento e
aterramento para uso industrial, urbano e turístico; super exploração dos recursos pesqueiros;
a contaminação e a poluição do ambiente (por substâncias químicas e de resíduos sólidos