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características deste modo de produzir a vida e que tem relação com a fauna e a flora. Um
exemplo é a da “corrida do saco”, que é um jogo tradicional das comunidades campesinas, e é
uma atividade que está diretamente ligada as atividades do trabalho no campo que no
momento da colheita de determinados vegetais, os/as trabalhadores/as se utilizavam de
recipientes, dentre os quais, geralmente era utilizado o saco. Após descarregar os vegetais a
volta a lavoura, para seguir a colheita, era feita com os sacos vazios, porém, com o intuito de
tornar o momento de trabalho mais descontraído, essa volta era feita através de um jogo em
que os sujeitos colocavam as pernas dentro do saco e tinham que se deslocar até a lavoura o
mais rápido possível, neste momento se disputava a primeira colocação da corrida. Podemos
estabelecer aqui a origem da “corrida do saco”, observamos que existem elementos culturais
de uma determinada população que direcionava o momento laboral de uma forma mais lúdica,
sem comprometer o objetivo do trabalho. Na aula de EF, tratamos de explicar esses elementos
para que possamos dar sentido às práticas da Cultura Corporal, fomentando o pensamento
crítico sobre dados elementos da prática. As atividades então passam a ter um sentido maior,
pois é apresentado aos estudantes as relações que a Cultura Corporal tem com o modo de
produção da vida campesina; 3) discussão e reflexão: momentos que se estabelecem no
decorrer da aula, no entanto são mais aprofundados no final. Os/as estudantes irão manifestar
suas reflexões sobre o tema abordado, as atividades apresentadas e avaliar a aula que foi
desenvolvida.
Podemos, deste modo, organizar as aulas de EF a partir dos Planos de Estudos com os
conteúdos a serem trabalhados, nos jogos e brincadeiras podemos abordar as práticas
corporais sistematizadas como parte da cultura de diferentes povos e comunidades (indígenas,
quilombolas, rurais, italianos, alemães, portugueses, dentre outras).
Ao contrário da dinâmica do currículo tradicional, a forma da elaboração dos conteúdos
a partir da omnilateralidade auxilia na formação integral do “... sujeito histórico à medida que
lhe permite construir, por aproximações sucessivas, novas e diferentes referências sobe o real
em seus pensamentos” (Coletivos de autores, 1992, p. 22). A apropriação dos conteúdos se da
na medida em que são apresentados em um processo de construção histórica dos sujeitos, ou
seja, compreendendo como o “... conhecimento foi produzido historicamente pela
humanidade o seu papel na história dessa produção” (Coletivos de autores, 1992, p. 22).
Nesse sentido, as comunidades do campo também vão desenvolvendo formas próprias
da cultura corporal baseada na forma de produzir a vida. Práticas corporais tradicionais são
transmitidas de geração para geração, ensinadas por familiares adultos para crianças que