Panorama bibliom�trico das teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena

 

 

Alexandre Masson Maroldi1, Luis Fernando Maia Lima2, Carlos Roberto Massao Hayashi3, Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi4

1Universidade Federal de Rond�nia - UNIR. Departamento de Ci�ncia da Informa��o. Campus BR 364, Km 9,5. Porto Velho - RO. Brasil. alexandre@unir.br. 2Universidade Federal de Rond�nia - UNIR. 3Universidade Federal de S�o Carlos - UFSCAR. 4Universidade Federal de S�o Carlos - UFSCAR

 

 

 

 

RESUMO. A educa��o ind�gena no Brasil tem o seu marco fundador nas primeiras a��es catequ�ticas dos jesu�tas na segunda metade do s�culo XVI. Nessa longa trajet�ria at� os dias atuais a educa��o dos povos ind�genas que habitam o territ�rio brasileiro tem sido alvo de controv�rsias e discuss�es nos n�veis governamental e acad�mico, o que tem gerado in�meros estudos. Essa pesquisa teve como objetivo elaborar um panorama bibliom�trico da produ��o cient�fica sobre educa��o ind�gena presente nas teses e disserta��es da Biblioteca Digital Brasileira de Tese e Disserta��es (BDTD/IBICT) por meio da metodologia bibliom�trica. O corpus analisado foi composto por 173 trabalhos de p�s-gradua��o defendidos no pa�s entre os anos de 1996 a 2016. Os resultados apontam que as regi�es Sudeste e Sul, respectivamente, concentram o maior n�mero de trabalhos e que a �rea da Educa��o � majorit�ria na produ��o cient�fica das teses e disserta��es recuperadas.

 

Palavras-chave: Educa��o Ind�gena, Bibliometria, Produ��o Cient�fica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliometric overview of thesis and dissertations on indigenous education

 

 

 

ABSTRACT. The indigenous education in Brazil has its founding milestone in the first catechetical actions of the Jesuits in the second half of the sixteenth century. In this long trajectory up to the present day the education of the indigenous peoples that inhabit the Brazilian territory has been the subject of controversies and discussions at the governmental and academic levels, which has generated numerous studies. This research had as objective to elaborate a bibliometric panorama of the scientific production on indigenous education present in theses and dissertations of the Brazilian Digital Library of Thesis and Dissertations (BDTD/IBICT) through bibliometric methodology. The corpus analyzed was composed of 173 postgraduate studies defended in the country between 1996 and 2016. The results indicate that the Southeast and South regions, respectively, concentrate the largest number of papers and that the Education area is the majority in the Scientific production of the thesis and dissertations recovered.

 

Keywords: Indigenous Education, Bibliometric, Scientific Production.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Panorama bibliom�trico de las tesis y disertaciones sobre educaci�n ind�gena

 

 

 

RESUMEN. La educaci�n ind�gena en Brasil tiene su marco fundador en las primeras acciones catequ�ticas de los jesuitas en la segunda mitad del siglo XVI. En esta larga trayectoria hasta los d�as actuales la educaci�n de los pueblos ind�genas que habitan el territorio brasile�o ha sido objeto de controversias y discusiones en los niveles gubernamental y acad�mico, lo que ha generado innumerables estudios. Esta investigaci�n tuvo como objetivo elaborar un panorama bibliom�trico de la producci�n cient�fica sobre educaci�n ind�gena presentes en las tesis y disertaciones de la Biblioteca Digital Brasile�a de Tesis y Disertaciones (BDTD/IBICT) por medio de la metodolog�a bibliom�trica. El corpus analizado fue compuesto por 173 trabajos de postgrado defendidos en el pa�s entre los a�os 1996 a 2016. Los resultados apuntan que las regiones sudeste y sur, respectivamente, concentran el mayor n�mero de trabajos y que el �rea de Educaci�n es mayoritaria en la regi�n producci�n cient�fica de las tesis y disertaciones recuperadas.
 
Palabras clave: Educacion Ind�gena, Bibliometria, Producci�n Cient�fica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Introdu��o

 

O Censo Escolar da Educa��o B�sica referente ao per�odo 2012 (Inep, 2013, p. 34) indicava a exist�ncia de 234.869 alunos ind�genas, dos quais 167.338 estavam matriculados no ensino fundamental; 17.586 no ensino m�dio; 824 no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e 243 na Educa��o Especial. Em 2015, o Censo Escolar registrou a exist�ncia de 3.085 escolas ind�genas, das quais 2.890 est�o em terra ind�gena onde est�o matriculados 262.328 alunos (Inep, 2016, p. 34).

Esse quadro demogr�fico atual sobre os ind�genas no pa�s serve como pano de fundo para introduzir o tema dessa pesquisa: a educa��o ind�gena. Tudo se inicia na segunda metade do s�culo XVI quando chegaram ao pa�s os primeiros jesu�tas da Companhia de Jesus chefiados pelo padre Manoel da N�brega. Enviados de Portugal por D. Jo�o III, o objetivo desses mission�rios era converter os nativos � f� crist�. No entanto, a a��o pedag�gica desenvolvida pelos jesu�tas n�o visava somente � catequiza��o dos ind�genas, mas era uma forma de inculcar a cultura letrada do colonizador, conforme argumentam os in�meros estudiosos da educa��o jesu�tica no Brasil colonial (Bittar & Ferreira Jr., 2007; Faria, 2016).

Desde a escola catequizadora e civilizat�ria, passando pela cria��o do Servi�o de Prote��o ao �ndio (SPI) em 1910, e pelas a��es desenvolvidas pela Funda��o Nacional do �ndio (FUNAI) a partir de 1967, a educa��o ind�gena atingiu o �pice com a Constitui��o Federal de 1988, que garantiu os direitos dos ind�genas e tra�ou �um quadro jur�dico novo para a regula��o das rela��es do Estado com as sociedades ind�genas contempor�neas� rompendo, desse modo, �com uma tradi��o de quase cinco s�culos de pol�tica integracionista, e reconhecendo aos �ndios o direito � pr�tica de suas formas culturais pr�prias.� (Alves, 2002, p. 20).

Desde ent�o, a tem�tica da educa��o ind�gena tem sido bastante explorada seja em relat�rios t�cnicos produzidos por �rg�os governamentais de planejamento e execu��o de pol�ticas educacionais voltadas para essa popula��o, seja em trabalhos acad�micos que resultam de pesquisas realizadas em n�vel de p�s-gradua��o ou em artigos divulgados em peri�dicos cient�ficos. Em um balan�o da produ��o cient�fica sobre a educa��o ind�gena realizado por D�Angelis (2008, p.28), o autor chamava a aten��o para o fato de que existe um grande volume de trabalhos sobre essa tem�tica, contudo alertava que essas publica��es �precisam ser lidas ou compreendidas no conjunto das demais para se construir, com isso, um painel dos caminhos e descaminhos da educa��o ind�gena no Brasil�.

Observa-se que a produ��o cient�fica sobre a educa��o ind�gena tem ensejado v�rios estudos do tipo �estado da arte� que visam avaliar as tend�ncias e perspectivas sobre essa tem�tica, bem como identificar poss�veis lacunas a serem preenchidas nessa sub�rea de conhecimento. Para Grupioni (2008, p. 21), �tais dados dariam for�a � proposi��o de que o tema da escola e da educa��o ind�gena ganhou legitimidade e import�ncia na pesquisa acad�mica, tanto na �rea de educa��o como da antropologia�. Concorda-se, pois, com esses argumentos que refor�am a import�ncia de analisar a produ��o cient�fica sobre educa��o ind�gena. A an�lise desses estudos n�o s� � oportuna e relevante, mas tamb�m oferece elementos importantes que contribuem para desvelar aspectos ainda obscuros sobre a educa��o ind�gena. Como recomenda Grupioni (2003), estes trabalhos dever�o ir al�m de uma an�lise dos resumos das teses e disserta��es sobre educa��o escolar ind�gena. Diante desses aspectos, esse artigo tem como objetivo apresentar um estudo bibliom�trico da produ��o cient�fica sobre educa��o ind�gena presente nas teses e disserta��es da Biblioteca Digital Brasileira de Tese e Disserta��es (BDTD/IBICT).

 

Procedimentos metodol�gicos

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A metodologia utilizada � a bibliometria, pois permite analisar a produ��o cient�fica de campos de conhecimento espec�ficos. Ademais, conforme sustentam Silva, Hayashi e Hayashi (2011), essa metodologia aplica m�todos quantitativos para an�lises estat�sticas de publica��es e atividades cient�ficas.

A fonte de dados foi a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Disserta��es (BDTD) mantida pelo Instituto Brasileiro de Informa��o em Ci�ncia e Tecnologia (IBICT) que re�ne em um s� portal as teses e disserta��es defendidas em todo o Pa�s e por brasileiros no exterior.Para coleta de dados da pesquisa na base de dados da BDTD foram escolhidas as express�es �educa��o ind�gena� e �educa��o escolar ind�gena� extra�das da revis�o de literatura que fundamentou a pesquisa que, embora representem conceitos diferentes, est�o presentes na literatura que fundamenta o campo. Uma vez determinadas as duas express�es de busca estipularam-se os seguintes crit�rios para a sele��o dos trabalhos: a) inclus�o: todas as teses e disserta��es que contivessem no t�tulo, palavras-chave ou resumo as express�es de busca, independentemente da �rea de conhecimento em que foram defendidas; b) exclus�o: trabalhos que n�o possu�am acesso ao texto completo; registros duplicados e aqueles cujo escopo n�o se mostrou aderente ao tema pesquisado. Tamb�m n�o foi aplicado qualquer tipo de filtro de busca avan�ada ou mesmo a temporalidade dos registros selecionados, uma vez que a inten��o � cartografar a evolu��o do tema ao longo dos anos. A coleta de dados foi realizada no dia 10 de dezembro de 2016 e ap�s a aplica��o dos crit�rios de inclus�o e exclus�o o corpus final da pesquisa visando � an�lise bibliom�trica foi composto por 173 trabalhos defendidos entre os anos de 1996 a 2016, recuperados com o termo �educa��o ind�gena� (n=58) e �educa��o escolar ind�gena� (n=115).

 

Evolu��o temporal e n�vel de titula��o

 

Os 173 trabalhos foram categorizados de acordo com o n�vel de titula��o, e a Figura 1 apresenta sua distribui��o temporal.

 


 

Figura 1 � Distribui��o temporal das teses e disserta��es.

 

Fonte: Elaborada pelos autores.

 


De acordo com os dados da Figura 1, nota-se um desequil�brio entre o total de disserta��es de mestrado (n=114) e o total de teses de doutorado (n=59). Isto se deve, provavelmente, ao fato de que muitos pesquisadores que iniciaram suas pesquisas no mestrado com foco nos estudos sobre a educa��o ind�gena posteriormente mudaram seu escopo de interesse tem�tico. Outra poss�vel explica��o � que ap�s a defesa do mestrado alguns autores podem ter optado pela inser��o no mercado profissional e n�o mais o caminho acad�mico. Al�m disso, de acordo com os dados da p�s-gradua��o brasileira disponibilizados pela CAPES, o total de programas de doutorado (n=64) � muito inferior ao total de programas de mestrado (n=1.207) quando se considera apenas programas com apenas esses n�veis (Geocapes, 2016)[i], o que pode justificar o desequil�brio no total de concluintes.

Observa-se na Figura 1 que n�o foi encontrado nenhum trabalho anterior ao ano de 1996. O primeiro trabalho identificado refere-se � tese de doutorado defendida no ano de 1996 por Terezinha de Jesus Machado Maher na Universidade de Campinas (UNICAMP) e tem como t�tulo: Ser professor sendo �ndio: quest�es de lingua(gem) e identidade. O objetivo da tese foi discutir os modos pelos quais as pr�ticas discursivas dos participantes �ndios de um projeto de educa��o ind�gena na Amaz�nia ocidental refletem processos de (re)defini��o do que � ser, hoje, um professor-�ndio, tendo em vista o momento s�cio-hist�rico.

Percebe-se na Figura 1 que h� uma lacuna temporal nas produ��es acad�micas entre os anos de 1997 at� 1999. Nesse per�odo n�o foram identificadas quaisquer disserta��o e tese defendidas sobre educa��o ind�gena. Entretanto, nota-se que v�rias conquistas relativas � educa��o ind�gena foram alcan�adas nesse per�odo, como o Projeto de Declara��o Interamericana sobre os Direitos dos Povos Ind�genas que, em seu Artigo 9�, estabeleceu o direito aos povos ind�genas de definir e aplicar seus pr�prios programas educacionais, bem como curr�culos e materiais did�ticos e forma��o e capacita��o para os docentes e administradores; por parte do MEC, que publicou em 1998 o Referencial Curricular Nacional para a Escola Ind�gena (RCNEI), entre outros. Ou seja, ap�s ter se institucionalizado tais conquistas � que, de fato, inicia-se uma demanda de interesse pela tem�tica no ambiente acad�mico.

Tamb�m quando se cruzam os dados da Figura 1 no recorte de tempo que vai de 1990 at� 2003, observa-se uma semelhan�a entre os achados de nossa pesquisa com o trabalho de Andr� (2009), que fez uma s�ntese comparativa da produ��o acad�mica dos p�s-graduandos na �rea de Educa��o entre 1999 e 2003 com base nos resumos dispon�veis no Banco de Dados da CAPES. A autora j� havia notado um quase esquecimento de pesquisas relativas � tem�tica da educa��o ind�gena no Brasil tanto no mapeamento que fez nos anos de 1990, quanto em seu mapeamento nos anos de 2000.

Nota-se tamb�m, ao observar a Figura 1, que entre os anos de 2000 e 2005 os trabalhos se mant�m sempre em n�veis est�veis, embora baixos. No entanto, nesse per�odo ocorreram importantes conquistas para os povos ind�genas nas quest�es educacionais, como, por exemplo, 21 das 295 metas do Plano Nacional de Educa��o (PNE) de 2001 s�o referentes � modalidade da educa��o escolar ind�gena; e em 2002, foram organizados os Referenciais para a Forma��o de Professores Ind�genas, entre outros avan�os. Neste sentido, nossos achados induzem a pensar que tais conquistas podem ter suscitado na comunidade acad�mica o interesse pela tem�tica elevando a procura pelos cursos de mestrado e doutorado. No entanto, como nos cursos de mestrado e doutorado as defesas costumam ocorrer ap�s dois ou quatro anos, em m�dia, do seu in�cio acad�mico, os resultados dessas pesquisas nas produ��es cient�ficas sobre o tema come�am a aparecer a partir dos anos de 2006, quando h� um incremento de trabalhos, como mostram os dados da Figura 1. Al�m disso, destaca-se que a partir do ano de 2005 come�am a ser defendidos os primeiros trabalhos acad�micos realizados por ind�genas. (Luciano, 2011).

Observando novamente a Figura 1, nota-se que a partir do ano de 2009 at� o ano de 2013, houve um aumento nas defesas de mestrado. Tal aumento pode ser reflexo do lan�amento, em 2009, do edital Observat�rio da Educa��o Escolar Ind�gena elaborado pela CAPES em parceria com a Secretaria de Educa��o Continuada, Alfabetiza��o e Diversidade (SECAD) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An�sio Teixeira (INEP). O edital convidou as Institui��es de Ensino Superior (IES) a apresentarem projetos de estudos e pesquisas em educa��o ind�gena e entre seus principais objetivos estava o de fomentar o desenvolvimento de estudos e pesquisas na �rea, ampliar programas de p�s-gradua��o stricto sensu na tem�tica da educa��o intercultural ind�gena e fortalecer a identidade e a expans�o da carreira docente na educa��o b�sica e superior intercultural. (Cl�maco, Neves & Lima, 2012).

A Figura 1 ainda mostra que somente a partir do ano de 2013 iniciam-se as produ��es oriundas dos programas de mestrado profissional, com dois trabalhos e nos dois anos seguintes um trabalho em cada ano totalizando quatro trabalhos no per�odo entre 2013 e 2015.

 

�reas de conhecimento e programas de p�s-gradua��o

 

De acordo com a Tabela 1, os resultados da pesquisa apontaram que as disserta��es de mestrado (n=114) e as teses de doutorado (n=59) foram defendidas em v�rios programas de p�s-gradua��o (n=29) do pa�s vinculados a diferentes �reas de conhecimento[ii].

 


 

Tabela 1 � Distribui��o dos trabalhos por �rea de conhecimento e programas de p�s-gradua��o.

 

�reas de Conhecimento

Programas de P�s-Gradua��o

Teses

Disserta��es

Ci�ncias Humanas

(n=136)

  1. Educa��o

30

66

  1. Educa��o Escolar

2

0

  1. Educa��o Especial

2

0

  1. Gest�o e Avalia��o da Educa��o P�blica

0

1

  1. Antropologia

2

8

  1. Antropologia Social

1

4

  1. Ci�ncia Pol�tica

2

0

  1. Hist�ria

1

3

  1. Geografia Humana

1

0

  1. Psicologia

1

1

  1. Ci�ncias Sociais

2

3

  1. Teologia

1

4

  1. Ci�ncias da Religi�o

1

0

Ensino

  1. Educa��o Matem�tica

1

1

  1. Educa��o em Ci�ncias e Matem�tica

0

2

  1. Ensino de Ci�ncias e Matem�tica

0

1

Lingu�stica, Letras e Artes

  1. Letras

1

5

  1. Estudos Lingu�sticos e Liter�rios em Ingl�s

1

0

  1. Letras e Lingu�stica

1

0

  1. Lingu�stica

8

3

  1. Artes C�nicas

1

0

  1. M�sica

0

1

Ci�ncias Sociais Aplicadas

  1. Administra��o

0

2

  1. Direito

0

1

Ci�ncias Ambientais

  1. Desenvolvimento Sustent�vel

0

4

Interdisciplinar

  1. Desenho, Cultura e Interatividade

0

1

  1. Educa��o, Arte e Hist�ria da Cultura

0

1

  1. Estudos Comparados sobre as Am�ricas

0

1

  1. Pol�ticas P�blicas

0

1

Total

 

59

114

Fonte: Elaborada pelos autores.

 


O destaque da Tabela 1 s�o os trabalhos na �rea de Ci�ncias Humanas (n=136) representando 78,6% do total, sendo que a maioria (n=96) foi defendida em programas de p�s-gradua��o em Educa��o, enquanto que os demais (n= 5) s�o em Educa��o Especial (n=2), Educa��o Escolar (n=2) e Gest�o e Avalia��o da Educa��o P�blica (n=1). Esses resultados apontam que, al�m de mostrar o acerto na escolha das palavras-chave para acessar a base da BDTD para recupera��o dos trabalhos sobre educa��o ind�gena, sinaliza a contribui��o dos programas de p�s-gradua��o da �rea de Educa��o para a tem�tica pesquisada. Ademais, caso fossem somados esses trabalhos dos programas de p�s-gradua��o de Educa��o com aqueles da �rea de Ensino (n=5), que abordam as pr�ticas educativas do ensino de ci�ncias e matem�tica na educa��o ind�gena, juntos alcan�ariam 61,3% (n=106) do total.

Em segundo lugar, na �rea de Ci�ncias Humanas, destacam-se as contribui��es da �rea de Antropologia (n=15) representando 8,7% do total de trabalhos, corroborando o argumento de Bergamaschi (2012, p. 10) de que os estudos dos processos educacionais dos povos ind�genas �constitu�am-se ocupa��o de antrop�logos� desde a d�cada de 1980. Grupioni (2013, p. 79) parece concordar com esse argumento ao afirmar que juntamente com outros profissionais que atuam nos processos formativos de professores ind�genas �os antrop�logos podem fazer uma diferen�a importante e marcar sua contribui��o no di�logo com a Educa��o�. Contudo, em suas reflex�es o autor tamb�m observa que

 

... se os antrop�logos tiveram papel importante no desenho inicial de pr�ticas de forma��o interculturais, em oposi��o ao modelo integrador que o Estado propagava; e, se tiveram papel central na configura��o de uma nova pol�tica p�blica para a educa��o escolar ind�gena, esta, ao ser implementada, acabou por alij�-los do processo (Grupioni, 2013, p. 79).

 

Na vis�o do autor, �no encontro entre a Educa��o e a Antropologia nos processos de forma��o de professores ind�genas, os antrop�logos t�m que evidenciar sua contribui��o, e isso n�o est� dado de antem�o�. (Grupioni, 2013, p. 79).

Por sua vez, Ara�jo (2014) estudou a produ��o cient�fica das teses e disserta��es sobre a inf�ncia ind�gena no Brasil no per�odo entre 2001 e 2012, e concluiu que apenas 7,93% dos trabalhos foram produzidos nos programas de p�s-gradua��o em Antropologia em contraposi��o aos 31,74% defendidos em programas da �rea de Educa��o. Tassinari (2001, p. 48), tamb�m j� alertava que a maioria dos trabalhos antropol�gicos n�o est� atenta � quest�o da educa��o escolar devido �� impress�o geral e difusa de que essa institui��o permanece alheia � vida da aldeia e � respectiva cultura ind�gena�. Ou seja, os resultados da nossa pesquisa parecem confirmar as premissas das pesquisas de Ara�jo (2014), Grupioni (2013) e Tassinari (2001) de que a Antropologia cada vez mais tem se afastado das quest�es educacionais ind�genas.

Os demais resultados da Tabela 1 mostram que na �rea de Ci�ncias Humanas os trabalhos em programas de Ci�ncias Sociais (n=5), Ci�ncia Pol�tica (n=2), Teologia (n=5), Ci�ncias da Religi�o (n=1), Hist�ria (n=4), Psicologia (n=2) e Geografia Humana (n=1) representaram 11,6% (n=20) do total.

Ressaltam-se os baixos �ndices na �rea de Geografia, uma vez que no campo da educa��o ind�gena a Geografia � um tema presente desde o ano de 1994, com a tese de doutorado de M�rcia Spyer Resende (de 1994) intitulada Um mapa do que pode ser a geografia nas escolas ind�genas, que teve como objetivo auxiliar na constru��o de uma proposta experimental de Programa de Geografia destinado � forma��o de professores ind�genas. Al�m disso, como comentam Magalh�es e Landim Neto (2013, p. 84) nas vis�es plurais sobre a educa��o ind�gena �perpassam elementos da Geografia calcados tanto em elementos jur�dicos e institucionais como no cotidiano dos povos ind�genas�. Outro estudo tamb�m defende que a Geografia est� diretamente relacionada com a educa��o ind�gena

 

... no momento em que ela se torna libertadora e aut�noma, podendo tornar o sujeito dono de sua pr�pria hist�ria e compreens�o do ser e querer ser ind�gena e por meio do conhecimento do territ�rio que � imprescind�vel para a sobreviv�ncia f�sica e cultural. Cultura e territ�rio s�o indissoci�veis. A categoria territ�rio � o elo que poder�amos chamar de geografia na concep��o da ci�ncia ocidental e na concep��o os povos ind�genas na qual depende n�o apenas a sobreviv�ncia bem como o princ�pio para autonomia (Fontes, 2016, p. 66).

 

Os resultados da Tabela 1 tamb�m mostram que � escassa a produ��o de teses e disserta��es no campo da Psicologia (n=2), coincidindo com os achados do estudo de Oliveira e Zibetti (2015), que analisaram 129 trabalhos e s� identificaram tr�s oriundos de programas da �rea de Psicologia, levando-as a indagar:

 

Seria esse resultado decorrente da falta de interesse dos programas de p�s-gradua��o em psicologia pela tem�tica? Ou seria em decorr�ncia de procedimentos �ticos e burocr�ticos, que demandam muito tempo para aprova��o dos projetos que envolvem popula��es ind�genas nos comit�s de �tica? (Oliveira & Zibetti, 2015, p. 109).

 

Uma poss�vel resposta para estas quest�es pode ser encontrada em Ferraz e Domingues (2016) que realizaram um estado da arte sobre a presen�a dos povos ind�genas na Psicologia brasileira em artigos indexados nas bases de dados SciELO e PePSIC, e verificaram que apesar dos artigos encontrados se caracterizarem pela interdisciplinaridade tamb�m eram escassas as refer�ncias espec�ficas da �rea de Psicologia, o que as levou a concluir que

 

... ainda temos muito a avan�ar, possivelmente pela aproxima��o recente da Psicologia com o estudo da tem�tica e tamb�m pela pr�pria constitui��o da Psicologia enquanto ci�ncia pautada principalmente por tradi��es individualistas, que destoam das tradi��es ind�genas que se baseiam principalmente no coletivismo (Ferraz & Domingues, 2016, p. 682).

 

Por sua vez, outras �reas como o Direito (n=1), as Artes C�nicas (n=1) e a M�sica (n=1) tamb�m apresentaram os mais baixos �ndices de trabalhos. A hist�ria da educa��o escolar ind�gena no pa�s foi marcada por in�meras Leis e Decretos, no entanto, mesmo com todos os avan�os ou retrocessos sobre os direitos ind�genas, principalmente ap�s a d�cada de 1970, os achados da pesquisa parecem sugerir que ainda n�o foram suficientes para despertar na comunidade cient�fica da �rea do Direito um interesse em desenvolver pesquisas com esta tem�tica, haja vista que a Tabela 1 aponta a exist�ncia de apenas um trabalho. O mesmo total foi obtido para trabalhos em programas de p�s-gradua��o na �rea das Artes C�nicas (n=1) e da M�sica (n=1), a despeito das ra�zes hist�ricas da m�sica e do teatro na educa��o ind�gena, conforme argumentam Bittar e Ferreira Junior (2007), ao mostrarem a import�ncia do teatro anchietano na catequese e pedagogia jesu�tica desde a chegada dos jesu�tas no pa�s no s�culo XVI.

Os resultados obtidos tamb�m mostraram a exist�ncia de trabalhos sobre educa��o ind�gena oriundos de programas de p�s-gradua��o da �rea Teologia (n=5), Desenvolvimento Sustent�vel (n=4) e Administra��o (n=2).

Os dados da Tabela 1 ainda apontam que os trabalhos de p�s-gradua��o da �rea de Lingu�stica e Letras (n=19) representaram 10,9% do total. No campo da Lingu�stica e Letras, o estudo das rela��es entre essas �reas vem desde o final dos anos 1960, com a implanta��o pela FUNAI do ensino bil�ngue nas comunidades ind�genas. No �mbito acad�mico, vale ressaltar que in�meros autores desses campos de conhecimento deram importantes contribui��es consolidadas em vigorosa produ��o de livros e artigos sobre leitura e escrita em sociedades ind�genas. De certo modo, tamb�m deve ter sido um atrativo para os pesquisadores dessa �rea os materiais did�ticos para a forma��o de professores ind�genas, incluindo livros, dicion�rios, entre outros, que foram publicados para atender �s exig�ncias tanto da LDB como do PNE, suscitando diversos estudos de an�lises lingu�sticas desenvolvidos nos programas de p�s-gradua��o da �rea.

Ao compulsar a literatura sobre a tem�tica da educa��o ind�gena verificou-se que alguns estudos alertavam sobre o t�mido envolvimento da �rea de Educa��o com a quest�o ind�gena. Contudo, diante dos resultados obtidos nessa pesquisa nota-se que esse cen�rio apresentou mudan�as. Por exemplo, na segunda metade dos anos 1990, Kahn e Franchetto (1994, p. 7) enfatizavam que ainda era �muito t�mida a inser��o de pedagogos na �rea� diante da mobiliza��o da sociedade para a �recupera��o da identidade �tnica dos povos ind�genas� que acontecia principalmente nas universidades:

 

... centros e cursos de lingu�stica incrementam os levantamentos e estudos das l�nguas ind�genas; antrop�logos subsidiam projetos de educa��o escolar ind�gena (geralmente encaminhados por ag�ncias n�o governamentais); matem�ticos, ge�grafos e historiadores dedicam-se cada vez mais aos estudos do que se passou a designar por Etnoconhecimentos (Kahn, Franchetto, 1994, p. 7).

 

Passados dezessete anos, Calder�n e Ferreira (2011) assinalam a aus�ncia de interesse da �rea de Administra��o da Educa��o para o estudo de pol�ticas, programas e projetos na �rea de educa��o ind�gena. Na vis�o dos autores, uma poss�vel explica��o para a aus�ncia de acolhida

 

... possa ser encontrada na rela��o hist�rica existente entre a �rea da educa��o/pedagogia com a quest�o ind�gena, a mesma que no contexto das lutas pelos direitos das comunidades ind�genas tem sido muito fr�gil, perdendo espa�o para a antropologia e as ci�ncias sociais (Calder�n & Ferreira, 2011, p. 336).

 

S�o quest�es instigantes. No entanto, considerando os resultados obtidos na pesquisa realizada outro cen�rio foi desvelado, pois a �rea de Educa��o � a que tem atra�do o maior n�mero de interessados nas quest�es relativas ao contexto da educa��o ind�gena no Brasil.

 

Institui��es, regi�es do pa�s e depend�ncia administrativa

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A pesquisa tamb�m analisou a distribui��o dos trabalhos (n=173) nos programas de p�s-gradua��o vinculando-os �s institui��es, regi�es do pa�s e depend�ncia administrativa.

A Tabela 2 apresenta a distribui��o dos trabalhos de acordo com o total de IES identificadas (n=39) ressalvando que nesse total a Universidade Estadual Paulista �Julio de Mesquita Filho� (UNESP) s� foi contabilizada uma �nica vez, pois � uma institui��o multicampi e seus programas de p�s-gradua��o pertencem a unidades distintas.


 

Tabela 2 � Distribui��o dos trabalhos por institui��es de ensino superior.

 

Siglas

Institui��es

Trabalhos

UFRGS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

23

PUC-SP

Pontif�cia Universidade Cat�lica de S�o Paulo

20

USP

Universidade de S�o Paulo

16

Unicamp

Universidade Estadual de Campinas

11

UnB

Universidade de Bras�lia

10

UFSCar

Universidade Federal de S�o Carlos

6

UFSC

Universidade Federal de Santa Catarina

6

UFPE

Universidade Federal de Pernambuco

6

UFMG

Universidade Federal de Minas Gerais

5

EST

Escola Superior de Teologia da S�o Leopoldo

5

FURB

Universidade Regional de Blumenau

5

UFBA

Universidade Federal da Bahia

5

UFMS

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

4

UFS

Universidade Federal do Sergipe

4

UFJF

Universidade Federal de Juiz de Fora

3

UFPR

Universidade Federal do Paran�

3

UFRN

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

3

UFGD

Universidade Federal da Grande Dourados

3

UFPA

Universidade Federal do Par�

3

FGV-EAESP

Funda��o Get�lio Vargas - S�o Paulo

2

UMESP

Universidade Metodista de S�o Paulo

2

UNESP - Rio Claro

Universidade Estadual Paulista - Rio Claro

2

UNESP-Araraquara

Universidade Estadual Paulista- Araraquara

2

UNISINOS

Universidade do Vale do Rio do Sinos

2

UFSM

Universidade Federal de Santa Maria

2

UFAL

Universidade Federal do Alagoas

2

UFMA

Universidade Federal do Maranh�o

2

UFPB

Universidade Federal da Para�ba

2

PUC-GO

Pontif�cia Universidade Cat�lica de Goi�s

2

UFG

Universidade Federal de Goi�s

2

UNISANTOS

Universidade Cat�lica de Santos

1

PUC/Camp.

Pontif�cia Universidade Cat�lica de Campinas

1

UNINOVE

Universidade Nove de Julho

1

UNOESTE

Universidade do Oeste Paulista

1

UPM

Universidade Presbiteriana Mackenzie

1

PUC-RS

Pontif�cia Universidade Cat�lica do Rio Grande do Sul

1

UEL

Universidade Estadual de Londrina

1

UFRPE

Universidade Federal Rural de Pernambuco

1

UEFS

Universidade Federal de Feira de Santana

1

UCDB

Universidade Cat�lica Dom Bosco

1

TOTAL

173

Fonte: Elaborada pelos autores.

 

 


As IES com o maior n�mero de trabalhos foram UFRGS (n=23), PUC-SP (n=20), USP (n=16), Unicamp (n=11) e UnB (n=10). O elevado n�mero de teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena na UFRGS se deve ao fato de existir no Programa de P�s-Gradua��o em Educa��o (PPGE) uma �rea tem�tica de pesquisa que investiga os processos de educa��o ind�gena, a rela��o entre as pr�ticas educativas tradicionais, as cosmologias ind�genas e as escolas nas aldeias, as afinidades entre saberes e conhecimentos ind�genas e n�o ind�genas, as marcas amer�ndias no fazer educativo da nossa sociedade, bem como a �tica do cuidado nas pr�ticas que mobilizam a mem�ria e a tradi��o na forma��o de professores e no ensino de hist�ria (Ufrgs, 2017). Nessa �rea tem�tica foram defendidos oito dentre os 23 trabalhos identificados na pesquisa. O mesmo ocorre na PUC-SP, cuja linha de pesquisa �Processos de escolariza��o, desigualdades sociais e diversidade� de seu PPGE desenvolve estudos sobre �escolas das comunidades dos distintos grupos �tnico-culturais, dentre os quais os das comunidades ind�genas e quilombolas.� (Puc-Sp, 2017).

Por sua vez, como refere Silva (2016, p. 52) na USP e na Unicamp est�o localizados os �maiores centros de estudos antropol�gicos e boa parte das pesquisas envolvendo povos ind�genas, consequentemente sobre escolariza��o�. Ademais, como observaram Souza e Bruno (2015) tais universidades tamb�m t�m contribu�do com assessorias especializadas, elaborando propostas educativas para atendimento das necessidades e interesses dos ind�genas, e promovido a��es de forma��o de professores ind�genas para o desenvolvimento pedag�gico em suas aldeias Na vis�o desses autores, essas institui��es ainda �buscam respaldo para novas pol�ticas p�blicas a fim de que, sucessivamente, os ind�genas tenham em suas aldeias, escolas de qualidade que atendam as especifica��es existentes�. (Souza & Bruno, 2015, p. 5).

Tamb�m � v�lido assinalar que a USP e a Unicamp s�o as institui��es que sediam grupos de pesquisa com produ��o cient�fica de refer�ncia na �rea dos estudos ind�genas, como o Grupo de Educa��o Ind�gena (MARI/USP) e o N�cleo de Educa��o e Cultura e Educa��o Ind�gena da Associa��o Brasileira de Leitura, sediado na Unicamp.

Na UnB o total de trabalhos (n=10) est� distribu�do em seis programas de p�s-gradua��o, mas nenhum deles � na �rea de Educa��o: Ci�ncias Ambientais (n=4); Antropologia (n=2) e Lingu�stica, Ci�ncias Sociais, M�sica e Estudos Comparados sobre as Am�ricas, cada um com apenas um trabalho, o que demonstra a interdisciplinaridade no estudo da educa��o ind�gena.

Juntas essas cinco institui��es � UFRGS, PUC-SP, USP, Unicamp e UnB - respondem por 46,2% de toda produ��o (n=80) de teses ou disserta��es sobre educa��o ind�gena. As demais institui��es (n=34) responderam por 53,8% (n=93) do total de trabalhos. Portanto, se por um lado h� concentra��o de trabalhos em poucas institui��es, por outro, os resultados apontaram uma dispers�o da produ��o de teses e disserta��es em in�meras IES.

Com rela��o �s regi�es do pa�s, a regi�o Sudeste (n=74) e Sul (n=48) apresentam uma maior concentra��o de teses e disserta��es reunindo 70,5% do total, e em seguida as regi�es Nordeste (n=26) e Centro-Oeste (n=22), respectivamente com 15% e 12,7%, sendo que a regi�o Norte (n=3) reuniu 1,7% do total.

Esses resultados revelam algumas caracter�sticas interessantes da produ��o cient�fica sobre a educa��o ind�gena. Em primeiro lugar, reproduzem as assimetrias regionais e estaduais presentes no sistema nacional de p�s-gradua��o do pa�s, conforme argumentam Guimar�es et al. (2015). Ao reunirem o maior n�mero de trabalhos � p�s-gradua��o, as regi�es Sudeste e Sul do pa�s representam o forte dom�nio hist�rico dessas regi�es sobre as demais, n�o s� como centros econ�micos, mas, tamb�m, de produ��o de conhecimento, carreando a maior parte dos recursos da CAPES que atendem aos requisitos necess�rios para execu��o dos diversos programas implementados por essa ag�ncia nesta regi�o do pa�s (Souza & Pereira, 2002).

Em segundo lugar, a regi�o Norte re�ne o maior contingente populacional de povos ind�genas, e ainda concentra mais da metade das escolas ind�genas do pa�s e grande parte das etnias ind�genas existentes no territ�rio nacional; no entanto, � a que apresentou o menor n�mero de estudos.

Embora estivessem se referindo � an�lise da produ��o cient�fica em Administra��o da Educa��o, o argumento de Calder�n e Ferreira (2011) pode ser aplicado ao ex�guo n�mero de teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena oriundas de institui��es da regi�o Norte encontrado em nossa pesquisa. Dizem os autores:

 

O fato da maior produ��o cient�fica no Brasil estar concentrada na regi�o sudeste do pa�s n�o � justificativa para eximir os pesquisadores da �rea da Administra��o da Educa��o da produ��o de estudos focados na quest�o ind�gena, como se essas comunidades somente existissem num lugar distante, l� longe, na Amaz�nia. Comunidades desse tipo tamb�m existem na regi�o sudeste, mesmo assim, a literatura acad�mica revela certa dist�ncia da elite intelectual na �rea da educa��o em rela��o �s pol�ticas p�blicas educacionais na �rea ind�gena, fato evidenciado tamb�m na inexist�ncia de um grupo de trabalho espec�fico na Associa��o Nacional de P�sGradua��o e Pesquisa em Educa��o (ANPEd) (Calder�n & Ferreira, 2011, p. 336).

 

Acresce a isso que os cursos de p�s-gradua��o da regi�o Norte no Brasil ainda n�o est�o totalmente consolidados. Por�m, outro aspecto � relevante nessas discuss�es. Desde o ano 2007 a CAPES realiza chamadas p�blicas para o recebimento de projetos de implanta��o de redes de coopera��o acad�mica, visando � forma��o de pessoal nas modalidades de Mestrados e Doutorados Interinstitucionais (MINTER e DINTER) que s�o compostas de turmas de mestrado e de doutorado conduzidas por uma institui��o promotora nacional nas depend�ncias de uma institui��o de ensino e pesquisa receptora, localizada em regi�es, no territ�rio brasileiro ou no exterior, afastadas de centros consolidados em ensino e pesquisa. A institui��o promotora � respons�vel por garantir o n�vel de qualidade das atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas por seu programa de p�s-gradua��o na institui��o receptora (Capes, 2017).

Se por um lado estes programas Interinstitucionais qualificam o corpo docente das institui��es receptoras, de outro lado, quando se considera a produ��o dos trabalhos acad�micos o abismo s� aumenta. Ou seja, muitas vezes as disserta��es e as teses defendidas nas regi�es Norte e Nordeste do pa�s, justamente as regi�es que mais recebem propostas de DINTER, abordam as problem�ticas locais, por�m suas produ��es s�o contabilizadas para a Institui��o promotora, geralmente uma IES do Sudeste ou Sul do Brasil, o que, neste sentido, s� aumenta a assimetria na produ��o cient�fica entre as regi�es. Neste sentido, e considerando os resultados da presente pesquisa, concorda-se com F�res-Carneiro et al. (2010) de que as pol�ticas p�blicas de pesquisa e p�s-gradua��o, em parte executadas pela CAPES para favorecer a descentraliza��o e o crescimento da P�s-Gradua��o nas regi�es Norte, Centro-Oeste e Nordeste, apesar dos evidentes �xitos, ainda est� muito distante de assegurar uma distribui��o da produ��o cient�fica menos concentrada na regi�o Sudeste.

Ramalho e Madeira (2005) tamb�m estudaram a expans�o da p�s-gradua��o na �rea de Educa��o nas regi�es Norte e Nordeste do Brasil e identificaram que entre os anos de 1990 at� os anos de 2000 houve uma amplia��o de programas de p�s-gradua��o nessas regi�es e que todos os estados possuem ou mestrado e/ou doutorado em Educa��o. Por�m, passados pouco mais de 13 anos ap�s a publica��o desse estudo, os resultados da pesquisa que realizamos revelam que tal amplia��o ainda n�o foi suficiente para elevar o n�mero de teses e disserta��es a patamares pr�ximos da produ��o cient�fica dos estados do Sudeste e Sul.

Os resultados da pesquisa tamb�m revelam que a regi�o Centro-Oeste � a terceira regi�o que re�ne o maior n�mero de trabalhos (n=22), apesar de ocupar o segundo lugar em termos da popula��o ind�gena. Em contrapartida, as regi�es Sul e Sudeste, que juntas reuniram a maioria dos estudos (n=122) s�o aquelas com baixa densidade populacional ind�gena.

A vincula��o das IES de acordo com a depend�ncia administrativa � mostrada na Figura 2.


 

Figura 2 � Distribui��o das IES por depend�ncia administrativa.

 

Fonte: Elaborada pelos autores.

 

 


Os resultados da Figura 2 apontaram que 66,6% (n=26) das institui��es s�o de natureza p�blica, isto �, universidades federais (n=21), estaduais (n=4), e apenas uma IES municipal. Ou seja, a produ��o cient�fica em educa��o ind�gena no Brasil se concentra em sua maioria nas institui��es p�blicas. Por sua vez, 33,3% (n=13) s�o IES privadas, sendo que desse total a maioria (n=10) s�o institui��es de ensino superior de cunho confessional, isto �, mantidas por institui��es religiosas. Esses achados refletem o crescimento da p�s-gradua��o stricto sensu no setor privado no pa�s.

Al�m disso, quando s�o cruzados os dados das IES confessionais com o total de trabalhos por institui��o, os resultados revelam que essas dez IESs confessionais foram respons�veis por 20,8% do total de trabalhos (n=173), sendo que a maioria est� localizada na regi�o Sudeste (n=5) � PUC-SP; PUC-Campinas; UMESP; UPM; UNISANTA � na regi�o Sul (n=3) � EST, UNISINOS e PUC-RS � e na regi�o Centro-Oeste (n=1) apenas a UCDB.

 

Autoria e orienta��o

 

Os 173 trabalhos foram analisados buscando identificar as autorias e as orienta��es dos trabalhos. Os resultados apontaram a exist�ncia de 169 autores, uma vez que quatro deles realizaram trabalhos no n�vel mestrado e doutorado, conforme descri��o no Quadro 1.

 


 

Quadro 1 � Autores que realizaram mestrado e doutorado sobre educa��o ind�gena.

 

Autor/�rea

T�tulo dos trabalhos/N�vel

Hellen Cristina Pican�o Simas (2009; 2013) � Lingu�stica

Letramento ind�gena: entre o discurso do RCNEI e as pr�ticas de letramento da Escola Potiguara de Monte M�r.(mestrado)

Educa��o escolar yanomami e potiguara.(doutorado)

Jos� Ivamilson Silva Barbalho (2007; 2012) � Educa��o

Saberes da pr�tica: tempo, espa�o e sujeitos da forma��o escolar entre professores x as ind�genas do estado de PE. (mestrado)

Discurso como pr�tica de transforma��o social: o pol�tico e o pedag�gico na educa��o intercultural Pankak�.(doutorado)

Neodir Paulo Travessini

(2002; 2011) � Educa��o

A quest�o da educa��o no contexto da modernidade e da civiliza��o ind�gena. (mestrado)

A��o comunicativa & educa��o ind�gena intercultural e emancipat�ria: encontro entre dois mundos poss�veis? (doutorado)

Rita Gomes do Nascimento (2006; 2009) � Educa��o

Educa��o escolar dos �ndios: consensos e dissensos no projeto de forma��o docente Tapeba, Pitaguary e Jenipapo-Kanind�. (mestrado)

Rituais de resist�ncia: experi�ncias pedag�gicas Tapeba (doutorado)

Fonte: Elaborado pelos autores.

 


Ao analisar os t�tulos e resumos dos trabalhos desses autores nota-se que as tem�ticas abordadas s�o semelhantes em ambos os trabalhos, ou seja, no mestrado os autores iniciaram esses estudos e aprofundaram a pesquisa em suas teses de doutoramento. Os dados do Quadro 1 tamb�m apontam que tr�s autores realizaram sua forma��o em programas de p�s-gradua��o de Educa��o e apenas um autor realizou o mestrado e doutorado em Lingu�stica, refor�ando assim a rela��o hist�rica de que a maioria dos trabalhos desta tem�tica est� diretamente ligada � �rea de Educa��o.

Em rela��o �s orienta��es, os resultados apontaram a exist�ncia de 128 orientadores dos 173 trabalhos, pois houve casos de orientadores que orientaram mais de um trabalho (Figura 3).

 

 


 

 

Figura 3 � Distribui��o dos orientadores e orienta��es.

 

Fonte: Elaborada pelos autores.

 

 


Os resultados da Figura 3 mostram que um grupo de orientadores (n=23) realizou mais de uma orienta��o (entre duas at� nove), o que corresponde a 39,3% do total de trabalhos orientados (n=68). Os demais orientadores (n=105) realizaram apenas uma orienta��o cada, o que corresponde a 60,7% do total de trabalhos. Para Momm (2009, p.86), �o total de orienta��es realizadas pode demonstrar o equil�brio ou desequil�brio entre os docentes dos programas de mestrado e doutorado, e, ainda, o grau de inser��o ou de dispers�o da produ��o do conhecimento cient�fico no campo de estudo�.

A Figura 4 apresenta a distribui��o nominal dos orientadores com mais orienta��es (n=23).

 

 

 

 


 

 

Figura 4 � Orientadores com mais orienta��es.

 

Fonte: Elaborada pelos autores.

 

 


A distribui��o dos orientadores pode ser interpretada � luz de dois conceitos-princ�pios bibliom�tricos fundamentais da Lei de Lotka (1926): o n�cleo, simbolizado pelos autores mais produtivos em uma �rea de conhecimento, e a dispers�o, isto �, a grande diversidade de autores com pouca representa��o nessa mesma �rea. De acordo com os achados da pesquisa (Figura 4), enquanto que um grande grupo de orientadores � respons�vel pelo menor n�mero de orienta��es (n=1), um pequeno grupo responde por mais orienta��es (1<n<10). Tais resultados, ao sinalizarem um grande distanciamento entre quem orienta apenas um trabalho daqueles que orientam mais de dois trabalhos, confirmam a Lei de Lotka que considera que alguns pesquisadores, supostamente de maior prest�gio em uma determinada �rea do conhecimento, produzem muito e muitos pesquisadores, supostamente de menor prest�gio, produzem pouco.

Para complementar os achados com rela��o aos orientadores mais prof�cuos (n=23), foram levantados seus perfis acad�micos por meio de consulta na plataforma de Curr�culos Lattes do CNPq (Quadro 2) visando buscar ind�cios de sua inser��o no campo dos estudos sobre educa��o ind�gena.


 

Quadro 2 � Perfil acad�mico dos orientadores com mais orienta��es.

 

Orientadores / IES/ Total de orienta��es

Perfil Acad�mico

Circe Maria Fernandes Bittencourt � USP/PUC-SP (9)

Desenvolve pesquisa sobre ensino de Hist�ria e Hist�ria da Educa��o, em especial sobre hist�ria da educa��o ind�gena.

Maria Aparecida Bergamaschi � UFRGS (8)

Atua nas �reas Educa��o Ind�gena e Ensino de Hist�ria, com pesquisas sobre educa��o guarani, educa��o escolar ind�gena e a tem�tica ind�gena na escola. Participa da Rede Saberes Ind�genas na Escola - N�cleo UFRGS.

Ernesto Jacob Keim � FURB(5)

Atua na �rea de Educa��o Escolar junto a povos ind�genas, ancorado na abordagem da Educa��o e Pedagogia Anticolonial.

Al�pio Marcio Dias Casali � PUC-SP (3)

Atua na �nfase Curr�culo, Conhecimento, Cultura e �tica com foco no curr�culo em escolas ind�genas e forma��o de professores ind�genas.

Clarice Cohn � UFSCar (3)

Atua na �rea de Antropologia, com �nfase em Etnologia Ind�gena e coordena o Observat�rio da Educa��o Escolar Ind�gena da UFSCar.

Dominique Tilkin Gallois � USP (3)

Atua na �rea de Antropologia, com �nfase em Etnologia e Hist�ria Ind�gena e temas das tradi��es orais e cosmologias amer�ndias, pol�ticas ind�genas, patrim�nio cultural e conhecimento tradicional. Presta assessoria a comunidades ind�genas no Amap� e Par�, e colabora com �rg�os p�blicos e organiza��es n�o governamentais em programas de forma��o ind�gena.

Malvina do Amaral Dorneles � UFRGS (3)

Atua na �rea de Gest�o de Educa��o em tem�ticas da diversidade e forma��o humana.

Rosa Maria Hessel Silveira � UFRGS (3)

Atua nos temas: Estudos Culturais, identidade, diferen�a, literatura infanto-juvenil, representa��es docentes, discursos, leitura e produ��o textual.

Ros�lia de F�tima e Silva � UFRN (

�reas de interesse: Metodologia da pesquisa e do ensino superior; Fundamentos Hist�ricos e Filos�ficos da Educa��o Brasileira.

Ana Maria Rabelo Gomes � UFMG (2)

Atua na �rea de Antropologia e Educa��o nas tem�ticas: educa��o ind�gena, cultura escolar, cultura e escolariza��o, aprendizagem e cultura. Lidera o grupo de pesquisa em Educa��o Ind�gena.

Antonella Maria Imperatriz Tassinari � UFSC (2)

Atua na �rea de Antropologia, com �nfase em Etnologia Ind�gena, em tem�ticas sobre: povos ind�genas, inf�ncia e educa��o ind�genas, identidade �tnica, diversidade cultural e educa��o escolar. Desenvolve projetos de pesquisa e extens�o vinculados ao NEPI (N�cleo de Estudos de Povos Ind�genas)

Carlos Antonio Giovinazzo Junior � PUC-SP (2)

Atua na �rea de Educa��o e Sociologia nas tem�ticas das pol�ticas educacionais e culturais articuladas aos processos de escolariza��o, privilegiando estudos sobre escolas de comunidades ind�genas.

Henyo Trindade Barretto Filho � UnB (2)

Atua nas �reas de Antropologia e Ci�ncias Ambientais, com foco nas tem�ticas dos povos ind�genas, pol�ticas indigenista e ambiental, meio ambiente e unidades de conserva��o, gest�o territorial e ambiental.

Laetus Mario Veit � UFRGS (2)

�ltima atualiza��o do curr�culo Lattes em 2007. Graduado em Filosofia e Teologia, doutor em Hist�ria pela Universit� Catholique de Louvain (1973) e pela Universidade Gregoriana de Roma (1960).

Maria do Carmo SantosDomite � USP (2)

Atua na �rea de Educa��o, com �nfase em Educa��o Matem�tica, nos temas da Etnomatem�tica e forma��o de professores e educa��o ind�gena.

Marilda do Couto Cavalcanti � Unicamp (2)

Atua na �rea de Lingu�stica Aplicada, em pesquisas etnogr�ficas com �nfase nos temas da leitura, letramentos, identidades, diversidade/diferen�a, forma��o de professores.

Monica Graciela Zoppi-Fontana � Unicamp (2)

Atua na �rea de Lingu�stica, nas tem�ticas da enuncia��o e dos processos de subjetiva��o, em particular relacionadas �s quest�es de g�nero, de pol�ticas lingu�sticas e da argumenta��o.

Regina Celi Mendes Pereira � UFPB (2)

Atua na �rea de Lingu�stica Aplicada: g�neros, letramento, escrita, forma��o docente e processos de ensino-aprendizagem de produ��o textual.

Renato Monteiro Athias � UFPE (2)

Atua na �rea de Antropologia e Etnologia Ind�gena, nas tem�ticas: sa�de ind�gena, antropologia visual.

Roberto Ervino Zwetsch � EST (2)

Atua na �rea de Teologia Latino-Americana, com �nfase em missiologia, religi�o e antropologia, nos temas dos povos ind�genas, comunidades ind�genas, miss�o entre povos ind�genas e pastoral indigenista.

Ros�ngela Ten�rio de Carvalho

Atua na �rea de Educa��o em temas sobre modos de subjetiva��o por meio de praticas curriculares e rituais nas rela��es de g�nero, ra�a e etnia.

Stephen Grant Baines � UnB (2)

Atua na �rea de Antropologia e Etnologia Ind�gena. Realizou pesquisas sobre impactos de grandes projetos de desenvolvimento em povos ind�genas, etnicidade e nacionalidade entre povos ind�genas em fronteiras internacionais, pol�tica indigenista, indigenismo.

Zeila de Brito Fabri Demartini � UMESP (2)

Atua na �rea de Sociologia nos seguintes temas: hist�rias de vida, imigra��o japonesa, portuguesa e africana, educa��o escolar e n�o-escolar, inf�ncia, estado de S�o Paulo.

Fonte: Elaborado pelos autores.

 

 


Como se v� no Quadro 2, o perfil acad�mico dos orientadores mais prof�cuos (n=23) � difuso, pois alguns realizam investiga��es com a tem�tica educa��o ind�gena ao longo de seu percurso acad�mico e atua��o em �rg�os e institui��es voltadas � causa ind�gena, enquanto que o perfil de outros orientadores sugere que o escopo de suas pesquisas n�o est� alinhado com as tem�ticas ind�genas, fornecendo ind�cios de que as orienta��es realizadas com essa tem�tica podem ter ocorrido muito mais em virtude das escolhas pessoais dos mestrandos e doutorandos e n�o pela ader�ncia dos orientadores ao tema.

Ao analisar a vincula��o desses orientadores aos programas de p�s-gradua��o verifica-se que a maioria (n=13) � da �rea de Educa��o, seguidos pelos da Antropologia (n=5), Lingu�stica (n=3), Teologia (n=1) e Desenvolvimento Sustent�vel (n=1), o que parece confirmar o argumento de Silva (2016, p. 22) de que

 

... embora a maioria dessas teses e disserta��es tenha sido realizada em programas de p�s-gradua��o da �rea de Educa��o cujo objeto devesse versar fundamentalmente sobre o ensino did�tico-pedag�gico, no entanto, a rigor, est�o focadas nas dimens�es culturalistas e/ou lingu�sticas. Assim a tr�ade Educa��o, Antropologia e Lingu�stica s�o as �reas que t�m dominado os estudos sobre educa��o escolar ind�gena.

 

Os achados tamb�m dialogam com as vis�es de Capacla (1995), Grupioni (2008) e Cavalcanti-Schiel (1999), confirmando o argumento deste autor de que

 

A franca maioria dos trabalhos investigativos j� realizados no Brasil sobre escolariza��o de �ndios foi constitu�da de incurs�es acad�micas (ou reorienta��es para o campo acad�mico) de carreiras pessoais de agentes diretamente envolvidos com a causa da educa��o escolar para �ndios (Cavalcanti-Schiel, 1999, p. 5. Grifo do autor).

 

Tamb�m foi investigado se os orientadores (n=128) possuem bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq, pois de acordo com Cavalcanti e Pereira (2008) essa � uma modalidade atribu�da a pesquisadores de reconhecida compet�ncia, com produ��o cient�fica regular de valor reconhecido pelos pares, atua��o na forma��o de recursos humanos em cursos de p�s-gradua��o e desempenho de atividades de natureza cient�fica e acad�mica.

A prospec��o no curr�culo Lattes dos orientadores mais prof�cuos (n=23) revelou que 43,4% (n=12) s�o bolsistas de produtividade em pesquisa nos n�veis 2 (n=6) e 1 (n=6), enquanto que entre os demais orientadores, apenas 15,2% (n=13) possuem esse tipo de bolsa nos n�veis 2 (n=7) e 1 (n=6).

 

As etnias abordadas nas teses e disserta��es

 

Estima-se que existam no Brasil 305 etnias ind�genas vivendo dentro e/ou fora de suas terras (Ibge, 2016). Esses dados suscitaram o interesse em verificar quais etnias foram estudadas nos 173 trabalhos analisados, conforme mostram os dados da Tabela 3.

 


 

Tabela 3 � Distribui��o das etnias estudadas nas disserta��es e teses.

 

Etnias

Etnias

T&D*

Total

Guarani

1

18

18

Terena; Kaingang; Guarani Mby�

3

12

36

Tikuna

1

8

8

Karipuna; Kaiow�; Baniwa

3

5

15

Xacriab�; Tupi-Guarani; Surui; Paresi; Makurap; Gavi�o; Arara

7

4

28

Bar�; Xokleng; Xavante; Uru Eu Wau Wau; Tupinikim; Tapirap�; Krenak; Kaxinaw�;Canoe

9

3

27

Yanomami; Xikrin Mebengokr�; Wapichana; Tukano; Tariana; Tapuia; Tapeba; Potiguara; Patax�; Pankararu; Pankar�; Oro Win; Oro Waram Xijein; Oro Waram; Oro N�o; Oro Eu; Oro At; Makuxi; Kinikinau; Kayabi; Karitiana; Karaj�; Kalapalo; Kadiw�u; Guarani; �andeva; Guajajara; Gavi�o-Ikolem; Djeoromitx� (Jaboti); Cinta Larga; Chiquitano; Camp�; Cabixi; Bakairi; Atikum; Asurini; Aru�; Apinaj�; Amondawa

38

2

76

Zor�, Yawanaw�, Yawalapiti, Xukuru, Xucuru-Karir�, Xipaia, Xikrin, Xerente, Waur�, Waradzu, Waj�pi, Waimiri-Atroari, Wai�pi, Wai Wai, Umutina, Tuyuka, Tupar�, Tenharin, Temb�, Tauarepang, Suy�, Suru� Paiter, Sawait�, Saban�, Rikbaktsa, Purubor�, Pitaguary, Piratapuia, Patax� H�h�h�i, Parakan�, Panar�, Oro Wari, Oro Waje, Oro Mon, Oro Bom, Ofai�, Nasa, Nambiquara, Nafuku�, Nad�b, Migueleno, Mayrob, Manchineri, Mamaid�, Latund�, Kyikat�j�, Kuikuro, Kuazar, Krikat�, Krah�, Kotiria (Wanano), Kiriri, Kaxarar�, Katukina, Katitaurlu, Karara� Kaparu�, Kanamari, Kamp�, Kamba, Kamaiur�, Juruna, Jiripanc�, Jenipapo-Kanind�, Jaminawa, Irantxe, Ikrin, Ikpeng, Guat�, Guarani Kaiow�, Gavi�o Parkat�j�, Gavi�o Akr�tikat�j�, Galibi-Marworno, Dessano, Curuaia, Cassup�, Cao Oro At, Bororo, Borari, Aweti, Av�-Guarani, Ashaninka, Arikap�, Ararawet�, Arara-Karo, Arara Shaw�dawa, Arapium, Apy�wa, Apurin�, Apiak�, Amanay�, Aikin�

92

1

92

Total

154

 

300**

(*) T&D � Teses e disserta��es; (**) Cada trabalho pode ter abordado mais de uma etnia.

Fonte: Elaborada pelos autores.

 


Os resultados da Tabela 3 mostram que foram estudadas 154 etnias, o que representa 50,5% do total estimado de etnias existentes no pa�s, revelando que metade desse total ainda n�o se constituiu em objeto de estudo em trabalhos que abordam a educa��o ind�gena.

De acordo com a distribui��o geogr�fica das etnias (Quadro 3) verifica-se que as etnias Guarani e Guarani Mby� est�o presentes na maior parte das regi�es do pa�s distribu�das em nove estados.

 


 

Quadro 3 � Distribui��o geogr�fica das etnias.

 

Etnias

Regi�es

Estados

Guarani e Guarani Mby�

Norte, Centro-Oeste, Sudeste, Sul.

PA, TO, MS, ES, SP, RJ, SC, PR, RS

Terena

Centro-Oeste e Sudeste

MS, MT, SP

Kaingang

Sul e Sudeste

PR, RS, SC, SP

Tikuna

Norte

AM

Fonte: Elaborado pelos autores.

 


Entre as etnias mais estudadas, com 6% (n=18) do total de trabalhos (n=300) encontraram-se os Guarani, seguidos pelos trabalhos (n=12) que focalizaram as etnias Terena, Kaingang, Guarani Mby� (n=12) e os Tikunas (n=8).Os Guarani e os Guarani Mby� re�nem uma popula��o atual de 68.457 indiv�duos (Brasil, 2010) e sua fam�lia lingu�stica � o Tupi-Guarani, sendo que apenas a regi�o Nordeste do pa�s n�o possui povos dessa etnia em seu territ�rio. Por estarem em praticamente todas as regi�es brasileiras, justifica-se o maior interesse das pesquisas em educa��o escolar ind�gena estudar tal etnia. Al�m disso, aparecem em maior incid�ncia nos estudos, pois s�o os povos que mais desenvolveram os processos de escolariza��o em seu meio (Bergamaschi, 2012).

Contudo, apesar da etnia Tikuna ter sido bastante estudada, nem todos os pesquisadores de p�s-gradua��o interessados nos estudos escolares ind�genas desta etnia est�o realizando suas pesquisas no Amazonas, localizado na regi�o de origem destes povos. Isso pode indicar que os programas de p�s-gradua��o da regi�o Norte ainda n�o possuem �reas ou linhas de pesquisa para atender a esta demanda das pesquisas ou mesmo que n�o possuem docentes com a experi�ncia e interesse por estas etnias em seu quadro geral de pesquisadores.

 

Considera��es finais

 

As teses e disserta��es sobre educa��o ind�genas dispon�veis na BDTD/IBICT se referem ao per�odo entre 1996 e 2016. Nesse recorte temporal de 21 anos foram produzidos 173 trabalhos, ou seja, uma m�dia de 8,65 trabalhos por ano. Dos 173 trabalhos analisados, nota-se que h� uma preval�ncia para as disserta��es oriundas de mestrado acad�mico, seguido de teses de doutorado e, quase incipiente, de mestrado profissional.

Dos 128 diferentes orientadores que orientaram os trabalhos, a maior concentra��o recaiu em apenas tr�s pesquisadores: Circe Maria Fernandes Bittencourt, Maria Aparecida Bergamaschi e Ernesto Jacob Keim, que orientam pesquisas com a tem�tica ind�gena na �rea de Educa��o. Por outro lado, encontra-se um grupo significativo de orientadores com baixa frequ�ncia de orienta��es, alguns deles rec�m entrados ao campo e outros que nunca orientaram pesquisas e/ou trabalhos sobre essa tem�tica.

Em rela��o ao total de teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena, os resultados mostraram que a �rea de Educa��o � majorit�ria, com 58,4% (n=101) trabalhos defendidos em programas de p�s-gradua��o dessa �rea. Os demais 41,6% (n=72) foram realizados em programas de p�s-gradua��o de 16 diferentes �reas de conhecimento, com m�dia de 4,5 trabalhos por �rea do conhecimento, sendo que duas �reas se destacaram: a Antropologia, com 15 trabalhos, e a Lingu�stica, com 11 trabalhos. Esses resultados demonstram que a tem�tica da educa��o ind�gena � interdisciplinar, todavia pode-se inferir que s�o as tr�s �reas majorit�rias � Educa��o, Antropologia e Lingu�stica � que predominam nesse campo de estudos.

Ainda que a Antropologia e a Lingu�stica tenham se destacado entre as �reas de conhecimento que produziram trabalhos de p�s-gradua��o sobre a educa��o ind�gena, todavia o foco das pesquisas realizadas nessas �reas recaiu mais sobre os aspectos culturais e lingu�sticos das popula��es ind�genas do que sobre a educa��o ind�gena propriamente dita. No caso da Antropologia, concorda-se, portanto, com o argumento vindo de uma antrop�loga (Tassinari, 2008), de que as contribui��es da etnologia ind�gena versaram sobre tipologias das sociedades, culturas e processos hist�ricos das popula��es ind�genas, desconsiderando os fen�menos pr�prios da educa��o da transmiss�o de saberes, dos processos nativos de ensino e aprendizagem.

Com rela��o �s regi�es do pa�s nas quais est�o localizados os programas de p�s-gradua��o em que foram defendidos os 173 trabalhos analisados, os resultados mostraram uma propor��o desigual entre as cinco regi�es brasileiras, tendo a regi�o Sudeste como a que concentrou o maior n�mero de trabalhos. Apesar da regi�o Norte do Brasil possuir o maior n�mero de etnias ind�genas, a mesma � praticamente incipiente (1,7%) com rela��o ao volume global de teses e disserta��es defendidas sobre a educa��o ind�gena.

Das 39 IES identificadas na pesquisa, as universidades p�blicas s�o as que mais produziram teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena e por mais pulverizada que seja a distribui��o de trabalhos entre as IES brasileiras, � desproporcional o volume de defesas entre as Institui��es p�blicas e as Institui��es privadas. Destacam-se com maior n�mero de trabalhos respectivamente a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Pontif�cia Universidade Cat�lica de S�o Paulo e a Universidade de S�o Paulo, que juntas produziram 59 teses ou disserta��es, representando 34,1% do total.

Os resultados tamb�m mostraram que as 154 etnias estudadas nas teses e disserta��es cobrem 50,5 % do total de 305 existentes no pa�s, denotando uma lacuna expressiva em rela��o �s demais. Entre as etnias mais estudadas, destacam-se a Guarani, presente em 18 trabalhos, seguida pelas etnias Terena, Kaingang, Guarani Mby�, cada uma com 12 trabalhos e os Tikuna com 8 trabalhos.

Finalmente, os resultados desse estudo bibliom�trico demonstram que apesar de um volume significativo de trabalhos sobre educa��o ind�gena no pa�s, ainda h� muito a ser pesquisado nos programas brasileiros de p�s-gradua��o.

 

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[i] De acordo com a CAPES, h� 2.031 programas de p�s-gradua��o que oferecem conjuntamente os n�veis mestrado e doutorado e 603 programas de mestrado profissional (Geocapes, 2016).

 

[ii] Para a distribui��o dos trabalhos nas �reas de conhecimento foi utilizada a Tabela de �reas de Conhecimento e Avalia��o da CAPES (2017).

 

 

 

 

Recebido em: 17/08/2017

Aprovado em: 17/09/2017

Publicado em: 28/10/2017

 

 

 

 

 

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APA:

Maroldi, A. M., Lima, L. F. M., Hayashi, C. R. M., & Hayashi, M. C. P. I. (2017). Panorama bibliom�trico das teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena. Rev. Bras. Educ. Camp., 2(2), 677-707. doi: http://dx.doi.org/10.20873/uft.2525-4863.2017v2n2p677

 

ABNT:

Maroldi, A. M., LIMA, L. F. M., Hayashi, C. R. M.; Hayashi, M. C. P. I. Panorama bibliom�trico das teses e disserta��es sobre educa��o ind�gena. Rev. Bras. Educ. Camp., Tocantin�polis, v. 2, n. 2, p. 677-707, 2017. doi: http://dx.doi.org/10.20873/uft.2525-4863.2017v2n2p677

 

 

 

 

 

ORCID

 

Alexandre Masson Maroldi

http://orcid.org/0000-0002-6592-7750

 

 

Luis Fernando Maia Lima

*http://orcid.org/0000-0002-4208-4914

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Carlos Roberto Massao Hayashi

http://orcid.org/0000-0003-1481-5545

 

 

Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi

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