A INFLUÊNCIA DA PLURIATIVIDADE SOBRE A PRODUÇÃO FAMILIAR NOS ASSENTAMENTOS RURAIS DO ESTADO DO ACRE
DOI:
https://doi.org/10.70860/rtg.v15i35.20357Palavras-chave:
Crédito Instalação, Famílias assentadas, Nova ruralidade, Reforma agráriaResumo
Este artigo investiga a influência da pluriatividade sobre a produção familiar em assentamentos rurais no estado do Acre, articulando fundamentos teóricos e evidências empíricas. A discussão parte da noção de “nova ruralidade”, que destaca a crescente interdependência entre atividades agrícolas e não agrícolas, bem como o papel da pluriatividade na reconfiguração do meio rural. Este estudo contextualiza a formação dos assentamentos acreanos e sua heterogeneidade territorial, marcada por diferentes estratégias de ocupação e distribuição de famílias. Metodologicamente, utiliza-se um modelo econométrico bivariado (biprobit) a partir de dados do Sistema Nacional de Supervisão de Ocupação (SNSO) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), analisando-se a interdependência entre a condição de beneficiário da política de reforma agrária e a pluriatividade. Os resultados indicam que a pluriatividade está associada a padrões diferenciados de inserção produtiva e à comercialização, revelando disparidades entre os beneficiários da reforma agrária e ocupantes dos assentamentos. Conclui-se que, embora a pluriatividade se configure como estratégia relevante para a diversificação e subsistência, sua efetividade depende da integração de políticas públicas que assegurem infraestrutura, crédito rural e apoio à comercialização, de modo a fortalecer a agricultura familiar nos assentamentos rurais.
Referências
BRASIL. Lei nº 13.465, de 11 de julho de 2017. Dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana [...]. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13465.htm. Acesso em: 27 set. 2025.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Assentamentos. [Portal do] Incra, 28 jan. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/reforma-agraria/assentamentos. Acesso em: 10 set. 2025.
CAVALCANTI, T. J. S. Colonização no Acre: uma análise socioeconômica do projeto de assentamento dirigido "Pedro Peixoto". Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 1994. (UFC, dissertação, mestrado em Economia Rural).
COUTO, V. A.; REIS, L. L. M.; SILVA, E. M. Pluriatividade e renda familiar no projeto de assentamento São Jorge e São José (PASJ), região cacaueira, Bahia. Revista Macambira, v. 1, n. 1, p. 52-70, 2017.
CRUZ, M. P. M. Mercado de terras, assentamentos rurais e regularização fundiária: estudos sobre a experiência do estado do Ceará. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2025. (UFC, tese, doutorado em Economia Rural).
DELGADO, G. C. A questão agrária no Brasil: 1950-2003. In: JACCOUD, L. (org.). Questão social e políticas sociais no Brasil contemporâneo. Brasília: IPEA, 2005. p. 51-90.
DELGADO, G. C.; BERGAMASCO, S. M. P. P. Agricultura familiar brasileira: desafios e perspectivas de futuro. Brasília: Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, 2017.
ESCHER, F. et al. Caracterização da pluriatividade e dos plurirrendimentos da agricultura brasileira a partir do Censo Agropecuário 2006. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 52, p. 643-668, 2014.
FERNANDES, B. M. et al. La experiencia brasileña de la lucha por la tierra y la reforma agraria. In: FERNANDES, B. M.; RINCÓN, L. F.; KRETSCHMER, R. (org.). La actualidad de la reforma agraria en América Latina y El Caribe. Buenos Aires: CLACSO, 2018. p. 15-40.
GÓMEZ, S. E. Nueva ruralidad? Un aporte al debate. Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, n. 17, p. 5-32, out. 2001.
GUERRA et al. Ecologia política da construção da crise ambiental global e do modelo do desenvolvimento sustentável. Revista Internacional de Desenvolvimento Local, v. 8, n. 1, p. 9-25, mar. 2007.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Malha territorial do estado do Acre. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html. Acesso em: 20 set. 2025.
INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA). Relação de projetos de assentamentos criados e reconhecidos pelo Incra. Brasília, 2025. Disponível em: <https://www.gov.br/incra/pt-br/assuntos/reforma-agraria/assentamentos-relacao-de-projetos>. Acesso em: 8 set. 2025.
LIMA, C. F.; NUNES, E. S.; LIMA, F. A. X. O diferencial de rendimentos no meio rural brasileiro entre as famílias pluriativas, agrícolas e não agrícolas. Revista GEOSUL, Florianópolis, v. 38, n. 87, p. 166-188, maio/ago. 2023.
MOREIRA, R. J. Críticas ambientalistas à Revolução Verde. Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, n. 15, p. 39-52, out. 2000.
PEREIRA, S. F. Emancipação de assentamentos rurais: a resistência do MST e os anseios do agronegócio. Revista Equador, Teresina, PI, v. 7, n. 2, p. 62-78, set. 2018.
PEREIRA, S. F.; ALENCAR, F. A. G. Assentamentos rurais no Ceará e os dilemas da emancipação. Revista da Casa da Geografia de Sobral, Sobral, CE, v. 20, n. 3, p. 100-116, dez. 2018.
PONTES, C. J. F. O “El-Dourado Verde”: a guerra do Acre. South American Journal of basic education, technical and technological, v. 3, n. 1, 2016.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Global, 2015.
SCHNEIDER, S. A pluriatividade no meio rural brasileiro: características e perspectivas para investigação. In: GRAMMONT, H. C. de; MARTINEZ VALLE, L. (org.). La pluriactividad en el campo latino-americano. Quito: Flacso, 2009. p. 132-161. (Serie FORO, v. 1).
WANDERLEY, M. N. B. Olhares sobre o "rural" brasileiro. Revista Raízes, Campina Grande, v. 23, n. 1-2, jan./dez. 2004.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Tocantinense de Geografia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
A Revista Tocantinense de Geografia não remunera nenhum autor pela publicação de seus textos. Os conteúdos dos textos publicados neste periódico são de responsabilidade de seus autores.











