"NÃO É HORA DE PROCURAR CULPADOS": O CAPITALISMO DE DESASTRE ENTRE A ESTRUTURA E O ACONTECIMENTO
Resumo
Este artigo analisa o enunciado “não é hora de procurar culpados”, proferido pelo governador do Rio Grande do Sul durante as enchentes que atingiram o estado em 2024. A partir da perspectiva da Análise do Discurso de linha materialista, buscamos compreender como esse enunciado opera nessa situação de crise. Observamos que a expressão, embora funcione como tentativa de suspender a responsabilização imediata, expõe, pela via da negação, a existência de culpados, deslocando a responsabilidade e diluindo-a. Fazemos essa análise considerando a circulação desse enunciado nos domínios da política e também do futebol, e sua circulação em um meme, o que mostra o seu caráter contraditório. Conseguimos discutir, assim, como esse gesto discursivo, ao mesmo tempo em que busca proteger o enunciador, reforça mecanismos de naturalização da tragédia e contribui para a reprodução de um modelo político e econômico sustentado pelo capitalismo de desastre.
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