"NÃO É HORA DE PROCURAR CULPADOS": O CAPITALISMO DE DESASTRE ENTRE A ESTRUTURA E O ACONTECIMENTO

Autores

Resumo

Este artigo analisa o enunciado “não é hora de procurar culpados”, proferido pelo governador do Rio Grande do Sul durante as enchentes que atingiram o estado em 2024. A partir da perspectiva da Análise do Discurso de linha materialista, buscamos compreender como esse enunciado opera nessa situação de crise. Observamos que a expressão, embora funcione como tentativa de suspender a responsabilização imediata, expõe, pela via da negação, a existência de culpados, deslocando a responsabilidade e diluindo-a. Fazemos essa análise considerando a circulação desse enunciado nos domínios da política e também do futebol, e sua circulação em um meme, o que mostra o seu caráter contraditório. Conseguimos discutir, assim, como esse gesto discursivo, ao mesmo tempo em que busca proteger o enunciador, reforça mecanismos de naturalização da tragédia e contribui para a reprodução de um modelo político e econômico sustentado pelo capitalismo de desastre.

Downloads

Publicado

2026-09-17

Como Citar

Selhorst, L. A. (2026). "NÃO É HORA DE PROCURAR CULPADOS": O CAPITALISMO DE DESASTRE ENTRE A ESTRUTURA E O ACONTECIMENTO . Revista Escritas, 17(1), 93–114. Recuperado de https://periodicos.ufnt.edu.br/index.php/escritas/article/view/20167