“Eu não pensava em mim, mas pensava neles”: Mulheres Negras, Cuidado e Violência Armada do Estado
DOI:
https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20504Resumo
O artigo discute como a violência armada do Estado brasileiro funciona como uma prática eugênica, atingindo de forma direta e indireta a população negra, especialmente as mulheres negras. As autoras argumentam que o cuidado exercido por essas mulheres é uma estratégia de resistência e sobrevivência diante do racismo estrutural, da necropolítica e da precarização da vida. O texto aborda a construção social do gênero, mostrando como o patriarcado e o racismo científico marginalizam as mulheres negras, relegando a elas o papel de cuidadoras e submetendo-as a sobrecarga, medo constante e sofrimento psíquico. A partir de entrevistas com mulheres negras moradoras de favelas do Rio de Janeiro, o texto evidencia que o cuidado vai além das tarefas domésticas, sendo também um gesto político e subversivo. Apesar das práticas eugênicas e do sofrimento imposto, essas mulheres desenvolvem estratégias de proteção e resistência, criando possibilidades de existência para suas famílias, mesmo sob ameaça constante. O cuidado, nesse contexto, é tanto resposta à violência quanto afirmação da vida negra, mostrando a potência e a centralidade das mulheres negras na luta por dignidade e sobrevivência.
Palavras-chave: cuidado, violência armada do estado, racismo, mulheres negras.
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