A trajetória acadêmica de estudantes indígenas em uma Licenciatura em Educação do Campo
DOI:
https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20600Resumo
O ingresso de indígenas no Ensino Superior, impulsionado pela Lei n.º 12.711/2012, direciona o foco aos desafios da Licenciatura em Educação do Campo. Esta pesquisa quali-quantitativa analisou a trajetória de 29 estudantes Kaingang ito, investigando processos de ensino-aprendizagem, a relação teoria-prática e a permanência acadêmica. Utilizando questionários e análise de conteúdo, o estudo revelou que o curso é visto como um projeto político-cultural, onde a práxis se materializa no Tempo Comunidade. Embora a "acolhida" pessoal institucional seja positiva, identificou-se uma "barreira pedagógica" nas disciplinas de Ciências da Natureza e Exatas. O enfrentamento dessas dificuldades baseia-se na persistência ativa e em redes de suporte entre pares. Conclui-se que o suporte estrutural é insuficiente, exigindo reorientação curricular e intervenções estratégicas. É fundamental superar modelos monoculturais para garantir a permanência e o sucesso acadêmico desses estudantes, consolidando a universidade como ferramenta de transformação social e fortalecimento das identidades indígenas.
Palavras-chave: formação de professores indígenas, interculturalidade crítica, práxis, permanência.
Trayectoria académica de estudiantes indígenas en el Programa de Grado en Educación Rural
RESUMEN. La admisión de indígenas a la Educación Superior, impulsada por la Ley nº 12.711/2012, dirige el foco a los desafíos de la Licenciatura en Educación del Campo (LECampo). Esta investigación cuali-quantitativa analizó la trayectoria de 29 estudiantes Kaingang, investigando procesos de enseñanza-aprendizaje, la relación teoría-práctica y la permanencia académica. Utilizando cuestionarios y análisis de contenido, el estudio reveló que el curso es visto como un proyecto político-cultural, donde la praxis se materializa en el Tiempo Comunidad. Si bien la "acogida" personal institucional es positiva, se identificó una "barrera pedagógica" en las disciplinas de Ciencias de la Naturaleza y Exactas. El enfrentamiento de estas dificultades se basea en la persistencia activa y en redes de apoyo entre pares. Se concluye que el soporte estructural es insuficiente, exigiendo reorientación curricular e intervenciones estratégicas. Es fundamental superar modelos monoculturales para garantizar la permanencia y el éxito académico de estos estudiantes, consolidando la universidad como herramienta de transformación social y fortalecimiento de las identidades indígenas.
Palabras clave: formación de profesores indígenas, interculturalidad crítica, praxis, permanencia.
The academic trajectory of indigenous students in the Rural Education Degree Program
ABSTRACT. The admission of Indigenous people to Higher Education, driven by Law No. 12.711/2012, directs focus to the challenges of the Rural Education Degree. Mixed methods research analyzed the trajectory of 29 Kaingang, investigating teaching-learning processes, the theory-practice relationship, and academic retention. Using questionnaires and content analysis, the study revealed that the course is seen as a political-cultural project, where praxis materializes in the Community Time. Although the personal institutional "reception" is positive, a "pedagogical barrier" was identified in the disciplines of Natural and Exact Sciences. Overcoming these difficulties is based on active persistence and peer support networks. It is concluded that structural support is insufficient, requiring curricular reorientation and strategic interventions. It is essential to overcome monocultural models to guarantee the retention and academic success of these students, consolidating the university as a tool for social transformation and strengthening Indigenous identities.
Keywords: indigenous teacher education, LECampo, critical interculturality, práxis, permanence.
Downloads
Referências
Aires, J. de L. (2020). A formação dos professores Tembé Tenetehar no curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UEPA [Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista]. Repositório Institucional UNESP.
Ames, V. D. B., & Almeida, M. L. de. (2021). Indígenas e ensino superior: as experiências universitárias dos estudantes Kaingang na UFRGS. Sociologias, 23(57), 244–275. https://www.scielo.br/j/soc/a/RyzKkWdwLxzxKf94kfb3rfC/ DOI: https://doi.org/10.1590/15174522-98065
Arroyo, M. G. (2005). Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In L. Soares, M. A. G. C. Giovanetti, & N. L. Gomes (Orgs.), Diálogos na educação de jovens e adultos (pp. 19–50). Autêntica.
Arroyo, M. G. (2007). Políticas de formação de educadores (as) do campo. Cadernos Cedes, 27(72), 157–176. https://www.scielo.br/j/ccedes/a/jL4tKcDNvCggFcg6sLYJhwG/?format=pdf&lang=pt DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-32622007000200004
Baniwa, G. (2019). Educação escolar indígena no século XXI: encantos e desencantos. Mórula; Laced.
Barradas, C. de J. C. (2013). Educação do campo formação continuada de professores do Programa Escola Ativa em Buriti (MA) [Dissertação de mestrado, Universidade de Taubaté].
Brandão, C. R. (2021). Educação Pública, Educação Alternativa, Educação Popular e Educação do Campo: algumas lembranças e divagações. Educação & Sociedade, 42, Artigo e255951. https://www.scielo.br/j/es/a/wZq85C8yzypJzZnPwrJfxPq/?format=pdf&lang=pt DOI: https://doi.org/10.1590/es.255951
Brasil. (2012). Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Diário Oficial da União. http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12711.htm
Brasil. (2023). Lei nº 14.723, de 13 de novembro de 2023. Altera a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, para dispor sobre o programa especial para o acesso às instituições federais de educação superior... Diário Oficial da União.
Brasil. Ministério da Educação. (2024a). Programa de apoio à formação superior e licenciaturas interculturais – Prolind. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15944:programas-do-mec-voltados-a-formacao-de-professores
Brasil. Ministério da Educação. (2024b). Programa de apoio à formação superior em licenciatura em Educação no Campo – Procampo. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15944:programas-do-mec-voltados-a-formacao-de-professores
Braz, S. G. (2014). Educação do campo e professores das escolas rurais: as representações sociais sobre competência [Dissertação de mestrado, Universidade de Taubaté].
Caldart, R. S. (2009). Educação do campo: notas para uma análise de percurso. Trabalho, Educação e Saúde, 7(1), 35–64. https://www.scielo.br/j/tes/a/z6LjzpG6H8ghXxbGtMsYG3f/ DOI: https://doi.org/10.1590/S1981-77462009000100003
Candau, V. M. F. (2012). Diferenças culturais, interculturalidade e educação em direitos humanos. Educação & Sociedade, 33(118), 235–250. https://www.scielo.br/j/es/a/QL9nWPmwbhP8B4QdN8yt5xg/ DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302012000100015
Coppete, M. C. (2012). Educação intercultural e sensibilidade: possibilidades para a docência [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Costa, A. B., Zoltowski, A. P., & Couto, A. P. (2014). Como escrever um artigo de revisão sistemática. In S. H. Koller, M. C. P. de Paula Couto, & J. Von Hohendorff (Orgs.), Manual de produção científica. Penso Editora.
Costa, L. de F. M. da. (2012). A etnomatemática na Educação do Campo, em contextos indígena e ribeirinho, seus processos cognitivos e implicações à formação de professores [Dissertação de mestrado, Universidade do Estado do Amazonas].
Coulon, A. (2008). A condição de estudante: a entrada na vida universitária. EDUFBA.
Cusati, I. C., et al. (2024). Pensar a interculturalidade na educação e a didática crítica intercultural na contemporaneidade. Nuances: Estudos sobre Educação, 35, Artigo e024011. https://revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances/article/view/10623 DOI: https://doi.org/10.32930/nuances.v35i00.10623
Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (Orgs.). (2006). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens (2. ed.). Artmed.
Fleuri, R. M., Coppete, M. C., & Azibeiro, N. E. (2009). [Título do capítulo não especificado]. In L. B. Oliveira et al. (Orgs.), Culturas e Diversidade Religiosa na América Latina: Pesquisas e Perspectivas Pedagógicas (pp. 30–46). Editora Edifurb.
Freire, P. (1982). Ação cultural para a liberdade e outros escritos (6. ed.). Paz e Terra.
Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra.
Freire, P. (2007). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (35. ed.). Paz e Terra.
Fundação Nacional dos Povos Indígenas. (2025). Demarcação de terras indígenas. https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/terras-indigenas/demarcacao-de-terras-indigenas
Gadotti, M. (2009). Educação integral no Brasil: inovações em processo. Instituto Paulo Freire.
Gil, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social (6. ed.). Atlas.
Hage, S. A. M., Silva, H. do S. de A., & Brito, M. M. B. (2016). Educação superior do campo: desafios para a consolidação da licenciatura em educação do campo. Educação em Revista, 32(4), 147–174. https://www.scielo.br/j/edur/a/zTGDSQkykpwt47QYDdjL8qn/?lang=pt# DOI: https://doi.org/10.1590/0102-4698162036
Medeiros, L. M. B. (2014). Licenciatura intercultural indígena no Centro Acadêmico do Agreste da UFPE: uma visão do egresso do curso 2009-2012 [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Pernambuco].
Moehlecke, S. (2002). Ação afirmativa: história e debates no Brasil. Cadernos de Pesquisa, (117), 197–217. http://educa.fcc.org.br/pdf/cp/n117/n117a11.pdf DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-15742002000300011
Moraes, R. (1999). Análise de conteúdo. Revista Educação, 22(37), 7–32.
Oliveira, L. F. de, & Candau, V. M. F. (2010). Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educação em Revista, 26(1), 15–40. http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/v26n01/v26n01a02.pdf DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-46982010000100002
Prensky, M. (2001). Digital natives, digital immigrants part 2: Do they really think differently?. On the Horizon, 9(6), 1–6. https://www.emerald.com/oth/article-abstract/9/6/1/318200/Digital-Natives-Digital-Immigrants-Part-2-Do-They?redirectedFrom=fulltext DOI: https://doi.org/10.1108/10748120110424843
Rio Grande do Sul. Secretaria Estadual da Saúde. (2024). Plano de Ação Estadual da Saúde Indígena 2024-2027. https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202404/19145143-plano-de-saude-indigena-2024-ses-rs.pdf
Santaella, L. (2007). Linguagens líquidas na era da mobilidade. Paulus.
Santos, B. de S. (2009). Direitos humanos: o desafio da interculturalidade. Revista Direitos Humanos, (2), 10–18. https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/81695/1/Direitos%20humanos_o%20desafio%20da%20interculturalidade.pdf
Saviani, D. (1985). Escola e democracia (8. ed.). Autores Associados.
Saviani, D. (2000). Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações (9. ed.). Autores Associados.
Silva, L. A. da. (2012). A disciplinarização do docente: uma análise discursiva do exercício disciplinador do programa gestar II [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás].
Silva, M. D. S. da. (2013). Concepções e práticas dos sujeitos envolvidos no curso de licenciatura em educação do campo no polo de Castanhal/PA [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Pará].
Silva, R. C. (2023). Entrelaçando Antropologia e Educação: Percepções Acerca do Acesso e Permanência Indígena na Unipampa [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Maria].
Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo. (2023). Alunos declarados indígenas no ensino superior aumentam 374%. https://www.semesp.org.br/semesp/2023/04/19/alunos-declarados-indigenas-no-ensino-superior-aumentam-374/
Tomaz, v. S. (2019). A formação intercultural para educadores indígenas: possibilidades e formas de resistência. Perspectivas da Educação Matemática, 12(30), 654–678. https://periodicos.ufms.br/index.php/pedmat/article/view/9604
Universidade Federal do Pampa. (2022). Projeto Pedagógico do Curso de Educação do Campo - Licenciatura (Versão 2022, atualização 2025). UNIPAMPA. https://repositorio.unipampa.edu.br/server/api/core/bitstreams/536cae1b-b36e-4199-8079-421e404ebd76/content
Walsh, C., et al. (2010). Interculturalidad crítica y educación intercultural. Construyendo Interculturalidad Crítica, 75(96), 167–181.
Weissmann, L. (2018). Multiculturalidade, transculturalidade, interculturalidade. Construção Psicopedagógica, 26(27), 21–36. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1415-69542018000100004&script=sci_arttext
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Marcia Lorena Rodrigues Vieira, Sandra Maders, Lisete Funari Dias

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Proposta de Aviso de Direito Autoral Creative Commons
1. Proposta de Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
Proposal for Copyright Notice Creative Commons
1. Policy Proposal to Open Access Journals
Authors who publish with this journal agree to the following terms:
A. Authors retain copyright and grant the journal right of first publication with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License that allows sharing the work with recognition of its initial publication in this journal.
B. Authors are able to take on additional contracts separately, non-exclusive distribution of the version of the paper published in this journal (ex .: publish in institutional repository or as a book), with an acknowledgment of its initial publication in this journal.
C. Authors are permitted and encouraged to post their work online (eg .: in institutional repositories or on their website) at any point before or during the editorial process, as it can lead to productive exchanges, as well as increase the impact and the citation of published work (See the Effect of Open Access).





