Saúde mental comunitária em território tradicional pesqueiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20619

Resumo

Nos contextos transtornados pelo colonialismo capitalístico, o reconhecimento jurídico-político dos povos originários e tradicionais pesqueiros como sujeitos de direito não lhes garante pleno acesso aos serviços de saúde mental de base territorial. Mapear processos de subjetivação e enunciação de cuidados à saúde mental de base tradicional comunitária é o principal objetivo desta cartografia. O uso deste método e modo de fazer pesquisa-intervenção e a composição de oficinas cartográficas de saúde mental comunitária mostram como as marisqueiras e pescadoras artesanais traçam linhas de cuidados e de mapas que compõem as cartografias do corpo-território-das-águas. A discussão sobre a determinação socioambiental da saúde mental envolve as ecologias ambiental, social, subjetiva e espiritual e a problematização do terricídio como parte da rede de elementos que compõem o colonialismo capitalístico como um dispositivo. As implicações psicossociais giram em torno das afecções do corpo: luto, angústia, assédio, raiva, medo, ansiedade e depressão. As implicações coexistem com marcadores de ancestralidade: arte afropindorâmica, amizade e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; cuidado de si, cuidado de parentes e comunitários, de sistemas costeiro marinho e encantados das águas e das matas.

Palavras-chave: cartografias, saúde mental, ancestralidade, marisqueiras, pescadoras artesanais.

 

Community-Based Mental Health in Traditional Fishing Territories

ABSTRACT. In contexts disrupted by capitalist colonialism, the legal and political recognition of Indigenous and traditional fishing communities as rights-bearing subjects does not ensure full access to community-based mental health services. This cartographic study aims to map the processes of subjectivation and enunciation of community-based traditional mental health care. The use of this research-intervention approach, together with community mental health cartographic workshops, shows how shellfish gatherers and artisanal fisherwomen trace lines of care and produce maps that form the cartographies of the body–territory–waters. The discussion of the socio-environmental determination of mental health encompasses environmental, social, subjective, and spiritual ecologies, as well as a critical examination of terricide as part of the network of elements that constitute capitalist colonialism as a Device. Psychosocial implications manifest as bodily afflictions, including grief, anguish, harassment, anger, fear, anxiety, and depression. These implications coexist with markers of ancestry, such as Afro-Indigenous artistic practices, friendship, and the strengthening of family and community ties; self-care, care for relatives and community members, and care for coastal and marine ecosystems, as well as for the enchanted beings of the waters and forests.

Keywords: cartographies, mental health, ancestry, shellfish gatherers; artisanal fisherwomen.

 

Salud mental comunitaria en territorio tradicional pesquero

RESUMEN. En contextos trastornados por el colonialismo capitalístico, el reconocimiento legal y político de las comunidades indígenas y pesqueras tradicionales como sujetos de derecho no les garantiza el pleno acceso a los servicios de salud mental comunitarios. Este estudio cartográfico tiene como objetivo mapear los procesos de subjetivación y enunciación de la atención tradicional de salud mental basada en la comunidad. El uso de este enfoque, junto con talleres comunitarios de salud mental, muestra cómo las recolectoras de mariscos y las pescadoras artesanales trazan líneas de atención y producen mapas que conforman las cartografías del cuerpo-territorio-aguas. El debate sobre los determinantes socioambientales de la salud mental abarca ecologías ambientales, sociales, subjetivas y espirituales, y la problematización del terricidio como parte de la red de elementos que conforman el dispositivo: colonialismo capitalístico. Las implicaciones psicosociales giran en torno a las afectaciones: duelo, angustia, acoso, enojo, miedo, ansiedad y depresión. Estas coexisten con marcadores de ascendencia: el arte afrobrasileño, la amistad y el fortalecimiento de los lazos familiares y comunitarios; el autocuidado, el cuidado de los parientes y los miembros de la comunidad, y el cuidado de los ecosistemas costeros y marinos y de los seres encantados de las aguas y los bosques.

Palabras clave: cartografía, salud mental, ancestros, recolectoras de mariscos, pescadoras artesanales.

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Biografia do Autor

Antonio Vladimir Félix-Silva, Universidade Federal do Delta do Parnaíba

Professor do Curso de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). Doutor em Ciências Psicológicas pela Universidade de Havana. Pesquisador vinculado ao Observatório da Pesca Artesanal e à linha de pesquisa Psicologia, Saúde Coletiva e Processos de Subjetivação. Coordenador do TeArES, co-fundador do AcolheTrans e membro do Conselho Pastoral dos Pescadores - CPP(PI/CE). Trabalha com Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade, há 30 anos. A partir da Esquizoanálise, da Cartografia e da Educação da Diferença, realiza pesquisas com Marisqueiras e Pescadores Artesanais; Movimento Hip-hop; Slam das Minas e dos Manos; Pessoas em Situação de Rua; População LGBTQIAPN+; Povos de Terreiro; Mulheres em Situação de Cárcere; Saúde Mental de Profissionais, Familiares e Pacientes da Rede de Atenção Psicossocial.

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Publicado

2026-07-11

Como Citar

Félix-Silva, A. V. (2026). Saúde mental comunitária em território tradicional pesqueiro. Revista Brasileira De Educação Do Campo, 11, e20619. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20619

Edição

Seção

Dossiê: Saúde Mental em Comunidades Educativas Rurais, Ribeirinhas, Quilombolas e Indígenas: desafios e possibilidades