Saúde mental e epistemologias indígenas: tensões entre políticas curriculares e interculturalidade

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20637

Resumo

O presente estudo analisa como a saúde mental, a interculturalidade e as epistemologias indígenas estão presentes nas políticas curriculares brasileiras, em especial na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na Base Nacional Comum para a Formação de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena. A pesquisa está situada nos estudos crítico ancorados por Amarante (2007), Martín-Baró (1998), Montero (2004), Krenak (2019), Kopenawa e Albert (2015), Walsh (2019); Santos (2010) com uma metodologia qualitativo documental que estabeleceu categorias analíticas relacionadas ao sujeito, ao cuidado, à saúde mental, à interculturalidade, ao território e à formação docente. Os resultados apontaram que as políticas nacionais de currículo abordam a saúde mental de maneira difusa, associada como uma questão individual com competências socioemocionais e desenvolvimento, e apresentando limitações para reconhecer as dimensões coletiva, territorial e cultural do cuidado. As análises também evidenciaram tensões entre propostas curriculares mais padronizadas e o posicionamento de epistemologias indígenas, sinalizando fragilidades na formação docente para efetivamente apoiar o trabalho com a diversidade sociocultural.

Palavras-chave: saúde mental, educação indígena, currículo.

 

Mental health and indigenous epistemologies: tensions between curricular policies and interculturality

ABSTRACT. This study analyzes how aspects of mental health, interculturality, and indigenous epistemologies are present in Brazilian curricular policies, especially in the National Common Curricular Base (BNCC), the National Common Base for Teacher Training in Basic Education (BNC-Formação), and the National Curricular Guidelines for Indigenous School Education. The research is situated within critical studies anchored by Amarante (2007), Martín-Baró (1998), Montero (2004), Krenak (2019), Kopenawa and Albert (2015), Walsh (2019), and Santos (2010), using a qualitative documentary methodology that established analytical categories related to the subject, care, mental health, interculturality, territory, and teacher training. The results indicated that national curriculum policies address mental health in a diffuse manner, associating it as an individual issue with socio-emotional competencies and development, and presenting limitations in recognizing the collective, territorial, and cultural dimensions of care. The analyses also revealed tensions between more standardized curricular proposals and the positioning of indigenous epistemologies, indicating weaknesses in teacher training to effectively support work with sociocultural diversity.

Keywords: mental health, indigenous education, curriculum.

 

Salud mental y epistemologías indígenas: tensiones entre las políticas curriculares y la interculturalidad

RESUMEN. Este estudio analiza cómo los aspectos de salud mental, interculturalidad y epistemologías indígenas están presentes en las políticas curriculares brasileñas, especialmente en la Base Curricular Nacional Común (BNCC), la Base Común Nacional para la Formación Docente en Educación Básica (BNC-Formação) y las Directrices Curriculares Nacionales para la Educación Escolar Indígena. La investigación se sitúa dentro de los estudios críticos basados ​​en Amarante (2007), Martín-Baró (1998), Montero (2004), Krenak (2019), Kopenawa y Albert (2015), Walsh (2019) y Santos (2010), utilizando una metodología documental cualitativa que estableció categorías analíticas relacionadas con el sujeto, el cuidado, la salud mental, la interculturalidad, el territorio y la formación docente. Los resultados indicaron que las políticas curriculares nacionales abordan la salud mental de manera difusa, asociándola como un problema individual con competencias y desarrollo socioemocionales, y presentando limitaciones para reconocer las dimensiones colectivas, territoriales y culturales del cuidado. Los análisis también revelaron tensiones entre las propuestas curriculares más estandarizadas y el posicionamiento de las epistemologías indígenas, lo que indica deficiencias en la formación docente para apoyar eficazmente el trabajo con la diversidad sociocultural.

Palabras clave:  salud mental, educación indígena, currículo.

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Biografia do Autor

André Luis Dolencsko, Universidade Federal de Mato Grosso

Professor Assistente no Departamento de Ensino e Organização Escolar do Instituto de Educação da Universidade Federal do Mato Grosso UFMT. Pós-doutorado (em andamento) pela Universidad Nacional Autónoma de Mexico, UNAM. Doutor e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas UNICAMP. Especialista em Tecnologias Educacionais e em Gestão Escolar. Possui Licenciatura Plena em Pedagogia. Tem experiência na Docência; Assessoria Pedagógica; Supervisão Educacional; Gestão de Projetos; Gestão de Conteúdos Pedagógicos; Coordenação de Cursos de Licenciatura, Pós-Graduação Lato Sensu, Stricto Sensu e Direção Educacional. Atuou como Vice Coordenador Estadual em São Paulo do Programa Escola de Tempo Integral do Ministério da Educação. Membro pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas e Avaliação Educacional GEPALE/UNICAMP. Conselheiro Técnico e Membro Associado da Sociedade Brasileira de Educação Comparada, SBEC. Na docência e pesquisa, atua principalmente com as seguintes áreas: políticas educacionais; formação de professores; carreira docente; educação comparada e tecnologias educacionais.

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Publicado

2026-07-10

Como Citar

Dolencsko, A. L. (2026). Saúde mental e epistemologias indígenas: tensões entre políticas curriculares e interculturalidade . Revista Brasileira De Educação Do Campo, 11, e20637. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20637

Edição

Seção

Dossiê: Saúde Mental em Comunidades Educativas Rurais, Ribeirinhas, Quilombolas e Indígenas: desafios e possibilidades