O lugar das crianças no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: Aprender, Brincar e Resistir

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20515

Resumo

O estudo trata do papel das cirandas infantis no contexto da luta pela terra protagonizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), buscando suscitar questões sobre a relação entre educação do campo e o surgimento das cirandas. Nessa direção, objetivou analisar em que medida essas experiências contribuem para a formação da identidade das crianças dos assentamentos, tomando como referência a dialética entre brincar e resistir. Para tanto, recorreu à pesquisa bibliográfica e documental, com aporte na teoria e no método marxista, procedendo a Análise de Conteúdo de Boletins, Cadernos e Publicações do MST, produzidas predominantemente nos anos 1990, mas também no período de 2011 a 2023. Dentre seus resultados, identificamos a ciranda como experiência político-pedagógica catalisadora da passagem, para a criança sem-terrinha, da condição de testemunha da luta para sujeito do processo, com identidade própria; ao mesmo tempo em que os processos e mecanismos de criminalização das lutas sociais operam também na direção de marginalização das cirandas infantis. Donde se conclui pela compreensão da saúde mental das crianças sem-terra como estando, simultaneamente, entre potencialidades protetivas e condições objetivas de vulnerabilidade face as contradições sociais, políticas e econômicas que atravessam a vida das crianças no campo brasileiro.

Palavras-chave: questão agrária, MST, ciranda infantil.

 

The place of children in the Landless Workers’ Movement: Learning, Playing and Resisting

ABSTRACT. This research contributes to the debate on childhood, rural education, and practices of collective resistance. It analyzes the role the children’s cirandas of the Landless Workers’ Movement (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST) play in the identity construction of the children who take part in these spaces. It parts from the recognition that the cirandas are frequently stereotyped or approached in a distorted way. These interpretations make their educational character and their role in the struggle for agrarian reform invisible. The objective here is to identify how taking part in the cirandas and experiencing daily spaces for political formation and social struggle for agrarian reform influence the identity of Landless Workers’ Movement’s children (Sem Terrinha), especially their pedagogical, political, and affective dimensions. This study has a qualitative approach, adopting bibliographic and documentary review. The corpus includes authors such as João Pedro Stédile and Edna Rossetto, as well as materials produced by the MST. The results show that the children's cirandas transcend the welfare function, and are evidenced as spaces of coexistence, care, critical formation, and community strengthening. They contribute to the children's sense of belonging to the MST and the struggle for land. The conclusion is that the cirandas are essential practices for the identity construction of children in the context of agrarian reform, reinforcing values ​​of resistance, cooperation, and collectivity.

Keywords: agrarian question, MST, children's circle dance.

 

El espacio de los niños del Movimento  dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: aprender, jugar y resistir

RESUMEN. La investigación se suma al debate acerca de la infancia, educación campesina y prácticas de resistencia colectiva. Analiza el papel de las Cirandas Infantiles del Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), en la construcción de la identidad de los niños que participan en esos espacios. Parte del reconocimiento de que las Cirandas son, a menudo, estereotipadas o tratadas de manera distorsionada. Se refieren a interpretaciones que borran su carácter educativo y su rol en la lucha por la reforma agraria. Se tiene por objetivo identificar cómo la participación en las Cirandas y la experiencia cotidiana en los espacios de formación política y lucha social por la reforma agraria influyen en la construcción de la identidad de los niños Sem-Terrinha, mostrando su dimensión pedagógica, política y afectiva. El estudio se basa en un enfoque cualitativo, mediante revisión de la literatura, además de investigación documental. El corpus incluye autores como João Pedro Stédile y Edna Rossetto, además de materiales hechos por el MST.  Los resultados apuntan que las Cirandas Infantiles van más allá de su función asistencial. Se presentan como espacios de convivencia, cuidado, formación crítica y fortalecimiento comunitario. Contribuyen al sentimiento de pertenencia de los niños del MST, así como a la lucha por la tierra. Se concluye que las Cirandas son prácticas fundamentales para la construcción de la identidad de los niños en el contexto de la reforma agraria, reforzando valores de resistencia, cooperación y colectividad.

Palabras clave: cuestión agraria, MST, ciranda infantil.



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Biografia do Autor

Maria Thaynara Pereira Barbosa, Universidade Federal de Campina Grande

Estudante.

Maria Clariça Ribeiro Guimarães, Universidade Federal de Campina Grande

Docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui trajetória consolidada de estudos e pesquisas sobre democracia, sociedade civil e lutas sociais, com ênfase em processos participativos, organização coletiva, atuação de conselhos e controle social de políticas públicas. É autora do livro Movimentos sociais e Organização Popular na Cidade Contemporânea (CRV, 2016) e organizadora da coletânea Serviço Social e Movimentos Sociais: debates contemporâneos (EDUFCG, 2021), além de contar com ampla produção em periódicos científicos, capítulos de livros e trabalhos em anais de eventos. Nos últimos anos, tem direcionado suas investigações ao campo dos direitos da criança e do adolescente, desenvolvendo pesquisas, programas e projetos de extensão voltados ao enfrentamento da violência sexual, bem como analisando a atuação de conselhos e o papel das organizações da sociedade civil na defesa e promoção desses direitos. Atua ainda como parecerista em revistas científicas e congressos da área, e possui sólida experiência na formação acadêmica, com orientação de discentes em pesquisa, extensão, monitoria e estágio supervisionado.

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Publicado

2026-08-04

Como Citar

Barbosa, M. T. P., & Ribeiro Guimarães, M. C. (2026). O lugar das crianças no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: Aprender, Brincar e Resistir. Revista Brasileira De Educação Do Campo, 11, e20515. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20515

Edição

Seção

Dossiê: Saúde Mental em Comunidades Educativas Rurais, Ribeirinhas, Quilombolas e Indígenas: desafios e possibilidades