Pedagogia da Alternância e os pilares dos CEFFAs em debate

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20048

Resumo

Este artigo objetiva discutir os princípios dos Centros Educativos Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs), compreendidos como os Quatro Pilares, e apresentar possíveis ressignificações, a partir do contexto brasileiro. Para tanto, realiza-se uma análise documental ressaltando aspectos dos referenciais teóricos e metodológicos que embasaram historicamente o pensar, sentir e fazer da Pedagogia da Alternância. Evidencia as contradições do ecletismo desses referenciais e os tensionamentos vivenciados, no encontro da Pedagogia da Alternância, principalmente, com o movimento da Educação do Campo. Observa-se neste movimento, um despertar para a necessidade de revisão e a reorganização dos Quatro Pilares dos CEFFAs à luz das abordagens teóricas e pedagógicas críticas. Nesta perspectiva, a Pedagogia da Alternância é reafirmada como uma construção histórica, cujas práticas sociopedagógicas a aproxima dos pressupostos teóricos e epistemológicos da Educação do Campo, Pedagogia Socialista, Pedagogia Libertadora-Freiriana, Pedagogia Histórico-crítica e a Pedagogia do Movimento, vinculando suas finalidades educativas com perspectivas da luta contra a sociedade desigual, a favor de um novo projeto de campo e sociedade, fortalecendo a hegemonia da classe trabalhadora.

Palavras-chave: pedagogia da alternância, centros educativos familiares de formação por alternância, quatro pilares, teorias críticas da educação.

 

Pedagogy of Alternation and the pillars of CEFFAs under debate

ABSTRACT. This article aims to discuss the principles of the Family-Based Educational Centers for Alternating Training (CEFFAs), known as the Four Pillars, and to present their possible re-significations within the Brazilian context. To this end, a documentary analysis is carried out, highlighting aspects of the theoretical and methodological frameworks that have historically supported the thinking, feeling, and doing of the Pedagogy of Alternation. It exposes the contradictions inherent in the eclecticism of these frameworks and the tensions experienced when the Pedagogy of Alternation intersects with other movements, particularly the Rural Education movement. Within this movement, an awakening is observed towards the need to review and reorganize the Four Pillars of the CEFFAs in light of critical theoretical and pedagogical approaches. From this perspective, the Pedagogy of Alternation is reaffirmed as a historical construction, whose socio-pedagogical practices align it with the theoretical and epistemological assumptions of Rural Education, Socialist Pedagogy, Freirean Liberation Pedagogy, Historical-Critical Pedagogy, and the Pedagogy of the Movement. This alignment links its educational purposes to the struggle against an unequal society, advocating for a new project for the countryside and for society as a whole, thereby strengthening the hegemony of the working class.

Keywords: pedagogy of alternation, family-based educational centers for alternating training, four pillars, critical theories of education.

 

La Pedagogía de la Alternación y los pilares de los CEFFA en debate

RESUMEN. Este artículo analiza los principios de los Centros Educativos Familiares de Formación en Alternancia (CEFFA), entendidos como los Cuatro Pilares, y presenta posibles redefiniciones en el contexto brasileño. Para este propósito, se realiza un análisis documental que destaca aspectos de los marcos teóricos y metodológicos que históricamente han sustentado el pensamiento, la percepción y la práctica de la Pedagogía en Alternancia. Se destacan las contradicciones inherentes al eclecticismo de estos marcos y las tensiones que se experimentan en la intersección de la Pedagogía en Alternancia, en particular con el movimiento de la Educación Rural. Este movimiento revela una conciencia de la necesidad de revisar y reorganizar los Cuatro Pilares de los CEFFA a la luz de enfoques teóricos y pedagógicos críticos. Desde esta perspectiva, la Pedagogía de la Alternancia se reafirma como una construcción histórica, cuyas prácticas sociopedagógicas la acercan a los presupuestos teóricos y epistemológicos de la Educación Campesina, la Pedagogía Socialista, la Pedagogía de la Liberación Freireana, la Pedagogía Histórico-Crítica y la Pedagogía del Movimiento, vinculando sus propósitos educativos con perspectivas de lucha contra una sociedad desigual, a favor de un nuevo proyecto campesino y social, fortaleciendo la hegemonía de la clase trabajadora.

Palabras clave: pedagogía de la alternancia, centros educativos familiares para la formación en alternancia, cuatro pilares, teorías críticas de la educación.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Batista Begnami, Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas - AMEFA

Doutorado em Educação. Mestre em Educação. Especialização em Pedagogia da Alternância e Inspeção Escolar. Graduação em Filosofia e Pedagogia. Coordenador Pedagógico da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola (AMEFA). Coordenador Pedagógico do Curso de Licenciatura em Educação do Campo - Ciências Agrárias (LECCA) - parceria AMEFA/IFSULDEMINAS. Formador no Programa Escola da Terra NEPCAMPO/FAE/UFMG. Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas CNPq/UFES "Pedagogia da Alternância e Formação Docente: Memórias, experiências e narrativas" (GEPPAFE). Professor na Faculdade EFAN.

Ricardo Ferreira Vital, Associação Mineira das Escolas Famílias Agricolas - AMEFA

Ricardo Ferreira Vital - Mestre em Educação e Docência pela UMFG. Possui Licenciatura em Educação do Campo/Área de Ciências da Vida e da Natureza. Especialização em Educação do Campo e Orientação Educacional e Inspeção Escolar. Entre os anos 2006 e 2016 atuou como professor/monitor e diretor na Escola Família Agrícola Bontempo, Itaobim/MG. Desde 2016 atua na Associação Mineira das Escola Família Agrícolas - AMEFA como Assessor Técnico Pedagógico nas EFAs do estado de Minas Gerais e atuação em Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER. Desde janeiro de 2025 atua como Professor na Faculdade EFAN. Pesquisador da Educação do Campo e Pedagogia da Alternância.  

Idalino Firmino dos Santos , Associação Mineira das Escolas Famílias Agricolas - AMEFA

Mestre em Educação Profissional e Tecnológica - ProfEPT - pelo Instituto Federal de Minas Gerai. Pós-graduado em Gestão Escolar. Possui graduação em Pedagogia. Técnico em Agropecuária pela Escola Família Agrícola de Olivânia Anchieta-ES.  Foi educador/monitor na Escola Rural Padre Adolfo Kolping – Formiga, na Escola Família Agrícola de Camões - Sem Peixe-MG, na EFA de Turmalina. Experiência na área de Agronomia, com ênfase em Extensão Rural, gênero e Povos e Comunidades Tradicionais PCTs, como preposto dos projetos de ATER Mulher, ATER Jovem e ATER quilombola; Elaboração de Projetos Sociais. Atualmente é Secretário Executivo da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola (AMEFA). Membro da Equipe Pedagógica Nacional - EPN - da União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas (UNEFAB).

Referências

Altieri, M. (2000). Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. UFRGS.

Begnami, J. B. (2019). Formação por Alternância na Licenciatura em Educação do Campo: limites e possibilidades do diálogo com a Pedagogia da Alternância (Tese de doutorado, Universidade Federal de Minas Gerais). Repositório da UFMG https://repositorio.ufmg.br/items/3811c39f-9cc0-4b29-8cc0-3d4484c7e3c0/full

Boff, L. (1999). Saber cuidar. Vozes.

Brasil. (2023). Resolução CNE/CP Nº 1, de 16 de agosto de 2023. Ministério da Educação. Brasília, DF. . https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/rcp001_23.pdf.

Brasil. (2012). Lei 12.695 de 25 de julho de 2012. Ministério da Educação. Brasília, DF.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12695.htm.

Brasil. (2006). Parecer CNE/CEB No 1 de 02 de fevereiro de 2006. Ministério da Educação. Brasília, DF. https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/pareceres-do-cne/ceb/2006/pceb001_06.pdf

Brasil. (1996). Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9394 de 1996. Brasília, DF. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm

Caldart, R. S. (2009). Educação do campo: notas para uma análise de percurso. Trabalho, Educação & Saúde, 7(1), 35-64. http://dx.doi.org/10.1590/S198177462009000100003

Caldart, R. S. (2008). Sobre a Educação do Campo. In Santos, C. A. (Org.). Cadernos por uma educação do campo: campo - políticas públicas - educação (pp. 67-86). Incra/MDA.

Caldart, R. S. (2004). Pedagogia do Movimento Sem Terra. Expressão Popular.

Caliari, R. O. (2019). Família Camponesa e Pedagogia da Alternância: consolidando diálogos. Appris.

Camacho, R. S. (2013). Paradigmas em disputa na Educação do Campo. (Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista). Repositório da Unesp https://repositorio.unesp.br/entities/publication/c227cfed-c1d3-46fd-897c-c0a6804a62c4

Caporal, F. R., Costabeber, J. A., & Paulus, G. (2011). Agroecologia: matriz disciplinar ou novo paradigma para o desenvolvimento rural sustentável. In Caporal, F. R., & Azevedo, E. (Orgs.). Princípios e perspectivas da Agroecologia (pp. 45-80). Instituto Federal do Paraná.

Castelhano, J. N. F. M. (2007). O método de Cardijn: ver, julgar e agir. A sua vivência e aplicação na Ação Católica Rural (Dissertação de Mestrado). Universidade Católica Portuguesa. https://www.proquest.com/openview/778b43fe1f7262eb99c01431dda3cd82/1?pq-origsite=gscholar&cbl=2026366&diss=y

Costa, J. P. R. (2019). A articulação em Agroecologia do Vale do Rio Pardo – AAVRP/RS: A agroecologia como possibilidade de existência e resistência e construção de espaços de esperança na região do Vale do Rio Pardo (Tese de Doutorado, Universidade de Santa Cruz do Sul). Repositório da Unisc https://repositorio.unisc.br/jspui/handle/11624/2564

Costa, T. P. da. (2019). Entre os velhos e os novos pilares da Pedagogia da Alternância: estudo de caso da Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido (REFAISA) no Estado da Bahia. In Foerste, E., et al. (Orgs.). Pedagogia da Alternância: 50 anos em terras brasileiras – memórias, trajetórias e desafios (1ª ed.). Appris.

De Burghgrave, T. (2011). Vagabundos, não Senhor Cidadãos brasileiros e planetários: uma experiência educativa pioneira do campo. UNEFAB.

Chauí, M. (1981). O que é ideologia? Brasiliense (Coleção Primeiros Passos).

Enguita, M. F. (1989). A face oculta da escola. Artes Médicas.

Freire, P. (1983). Pedagogia do oprimido (14ª ed.). Paz e Terra.

Freire, P. (1978). Cartas à Guiné-Bissau – registros de uma experiência em processo (4ª ed.). Paz e Terra.

Garcia-Marirrodriga, R., & Puig-Calvó, P. (2010). Formação em Alternância e desenvolvimento local: o movimento educativo dos CEFFA no mundo. O Lutador.

Gimonet, J. C. (2007). Praticar e Compreender a Pedagogia da Alternância dos CEFFAs. Vozes.

Gliessman, S. R. (2000). A agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. Ed Universidade/UFRGS.

Gramsci, A. (2001). Cadernos do Cárcere. Vol. 2, Trad. Carlos Nelson Coutinho (2ª ed.). Civilização Brasileira.

Granereau, A. (2025). O Livro de Lauzun. Onde começou a Pedagogia da Alternância (2ª ed.). Pragma.

Jesus, J. G. de (2011). Saberes e Formação dos Professores na Pedagogia da Alternância (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo). Repositório da UFES https://repositorio.ufes.br/server/api/core/bitstreams/47d72488-3ede-4f20-a11b-1cf84bcc8224/content

Libâneo, J. C. (1998). Pedagogia e Pedagogos: para quê? Cortez.

Manacorda, M. A. (1991). Marx e a pedagogia moderna. Cortez/autores Associados.

Marx, K., & Engels, F. (1979). A ideologia alemã. Hucitec.

Marx, K. (1993). Manuscritos econômicos-filosóficos. Edições 70.

Molina, M. C. (2020). Panorama das licenciaturas em Educação do Campo das IFES no Brasil. In Ruas Junior, J. J., Brasil, A., & Silva, C. (Orgs.). Educação do Campo: diversidade cultural, socioterritorial, lutas e práticas (pp. 85-112). Pontes Editores.

Molina, M. C. (2009). Cultivando princípios, conceitos e prática. Presença Pedagógica, 15(88), 31-36.

Mazzetto, C. E. S. (2013). Do desenvolvimento insustentável à sustentabilidade do envolvimento: ou simplesmente bem viver? In Begnami, J. B., & Burghgrave, T. (Orgs). Pedagogia da Alternância e Sustentabilidade (pp. 83-94). UNEFAB.

Nosella, P. (2019). O princípio educativo do trabalho na formação humana: una spaccatura storica. Texto apresentado no VIII Seminário Internacional de Teoria Política- Gramsci, UNESP, Marília, 09 a 13 de set. 2019; no Minicurso da ANPEd, GT 9, na UFF, Niterói/RJ, 23 de out. 2019; no VI Encontro do Labor, Fortaleza, 13 de nov.

Pistrak, M. M. (2011). Fundamentos da escola do trabalho (3. ed.). Expressão Popular.

Puig-Calvó, P. (2005). Que orientação profissional é possível promover no ensino fundamental. Revista da Formação por Alternância (pp. 22-36). UNEFAB.

Santos, B. de S. (2007). Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In Novos estudos CEBRAP (pp. 71-94). http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002007000300004.

Saviani, D. (2005). A pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações (9a ed.). Autores Associados.

Saviani, D. (1991). Do senso comum à consciência filosófica. Cortez/Autores Associados.

Saviani, D. (1987). Escola e Democracia (19a ed.). Cortez/Autores Associados.

Telau, R. (2015). Ensinar – incentivar – mediar: dilemas nas formas de sentir, pensar e agir dos educadores do CEFFAs sobre os processos de ensino/aprendizagem (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais). Repositório digital UFMG https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/3386e92f-eea3-46b0-92f5-5ff51667c3cb/content

Vendramini, C. R. (2010). A Educação do Campo na perspectiva do Materialismo Histórico-dialético. In Molina, M. C. (Org.). Educação do Campo e Pesquisa II – Questões para reflexão (pp. 127-135). MDA/MEC.

Downloads

Publicado

2026-04-19

Como Citar

Begnami, J. B., Ferreira Vital, R., & Firmino dos Santos , I. (2026). Pedagogia da Alternância e os pilares dos CEFFAs em debate. Revista Brasileira De Educação Do Campo, 11, e20048. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20048

Edição

Seção

Artigos / Articles / Artículos