Care, Psychology and Popular Health Education: An Autoethnographic and Decolonial Essay Based on Experiences in a Quilombola Context

Authors

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20623

Abstract

ABSTRACT.  This essay is situated within the field of Black epistemologies and popular health education, articulating psychology, territory, and care practices in Amazonian quilombola contexts. It is grounded in the problematization of the delegitimization of traditional knowledge in the field of health, marked by structural racism and epistemicide. The objective is to reflect on the role of psychology in dialogue with community-based knowledge, drawing from the experience of a quilombola woman. Methodologically, this is a decolonial and autoethnographic essay that mobilizes self-writing present in Escrevivência as an epistemological strategy, articulating lived experience, theoretical reflection, and analysis grounded in territory. The findings highlight that community knowledge constitutes living technologies of care, sustained by collective, affective, and territorial networks that operate in opposition to the fragmentation of the biomedical model. It concludes that thinking about a psychology committed to Black territories requires epistemological and ethical shifts, recognizing other legitimate forms of knowledge production and care.

Keywords: care, quilombo, popular health education, black epistemologies, psychology

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biographies

Fabiane Rodrigues Fonseca, Universidade Federal do Amazonas

Psicóloga (CRP 20/05123), quilombola do Quilombo do Barranco de São Benedito, em Manaus-AM. Desenvolve estudos e práticas no campo dos processos psicossociais da mulher negra na Amazônia, com ênfase na saúde mental em comunidades tradicionais, articulando psicologia social, cultura, território e relações étnico-raciais. É membra fundadora da Associação Crioulas do Quilombo de São Benedito, onde atua no desenvolvimento de ações comunitárias voltadas às demandas locais e à promoção do cuidado coletivo. Atua na docência do ensino superior, com experiência em formação acadêmica e supervisão de estágio, e na clínica psicológica com adultos, a partir da abordagem psicanalítica. Mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é doutoranda na linha de Processos Psicossociais e colaboradora do Laboratório de Direitos Humanos (LADHU/UFAM). Atuou como Conselheira suplente da Região Norte no XIX Plenário do Conselho Federal de Psicologia (20232025) e atuou como apoiadora institucional da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) no estado do Amazonas, no ano de 2025, articulando pesquisa, políticas públicas e práticas de cuidado territorializadas.

Iolete Ribeiro da Silva, Universidade Federal do Amazonas

Professora Titular da Universidade Federal do Amazonas, graduada em Psicologia pelo Centro Universitário de Brasília (1990), mestre (1998) e doutora (2004) em Psicologia pela Universidade de Brasília. Bolsista Produtividade CNPq. Docente no Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGE/UFAM e Programa de Pós-Graduação em Psicologia - PPGPSI/UFAM. Professora Visitante na Universidad Nacional Entre Ríos (UNER)/Argentina (2022). Integrante da Associação Brasileira de Pesquisadoras/es Negras/os, do Conselho Fiscal da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia, da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP e da Rede de Pesquisadores e Pesquisadoras da Juventude Brasileira/REDEJUBRA, Núcleo de Estudos Afro Indígena/UFAM, Laboratório de Educação, Psicologia e Teoria Social/UEA. Líder do Grupo de Pesquisa Subjetividades, Povos Amazônicos e Processos de Desenvolvimento Humano/UFAM. Fui Conselheira (de 2017 a 2020) e Presidente do CONANDA (2020), Presidente do Conselho Regional de Psicologia da 20ª Região, Conselheira do Conselho Nacional de Assistência Social, Secretária Adjunta do Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselheira do Conselho Federal de Psicologia. Desenvolvo pesquisas a partir da perspectiva crítica da Psicologia histórico-cultural abordando a constituição das subjetividades dos povos amazônicos, seus processos de desenvolvimento e interrelações com os processos educativos. Os temas de interesse são: aspectos psicossociais da desigualdade e processos de transformação social; psicologia, movimentos sociais e processos de inclusão de grupos historicamente excluídos; interseccionalidade entre gênero e raça, preconceitos, violências, processos de exclusão e manifestações de sexismo na escola e na universidade; a escola como espaço de constituição dos sujeitos; processos psicossociais e culturais que permeiam as práticas e saberes sobre a realidade amazônica; processos de desenvolvimento de crianças e adolescentes em contextos sócio institucionais; políticas públicas e promoção de direitos humanos à população amazônica.

Socorro de Fátima Moraes Nina, Universidade do Estado do Amazonas

Psicóloga, Professora Associada da Universidade do Estado do Amazonas-UEA. Doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia. Mestra em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia-UFAM. Especialista na área Clínica-FMF. Especialista em Educação na Saúde pela Universidade de São Paulo (USP). Membro do Grupo deTrabalho: Subjetividade e Práticas Clínicas da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Pesquisadora dos grupos de pesquisa - Psicologia, Trabalho e Saúde (LAPSIC); Pessoa, Sociedade e Ambiente na Amazônia (YANDÊ KAA PURA) da Universidade Federal do Amazonas-UFAM. Coordenadora do Programa Saúde da População do Campo, da Floresta e das Águas- PopFlora. Vice Líder do Núcleo Interdisciplinar de Saúde e Ambiente NISA-UEA. Linhas de pesquisa atuais: Psicologia e Aspectos Socioambientais na Amazônia: Territorialidades e cotidianos na Amazônia, Saúde indígena, Saúde das populações do campo, da floresta e das águas. Tabalho, saúde e ambiente: os diferentes fazeres das mulheres ribeirinas, indigenas e quilombolas.

References

Bispo dos Santos, A. (2019). Colonização, quilombos: Modos e significações (02 ed.). AYÓ.

Bispo dos Santos, A. (2023). Somos da terra. In Terra: Antologia afro-indígena: I (Ubu Editora, pp. 7–17). PISEAGRAMA. https://piseagrama.org/somos-da-terra/

Brasil. Fundação Nacional de Saúde. (2005). Saúde da população negra no Brasil: contribuições para a promoção da eqüidade. Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Brasil, M. da J., Cidadania. S. E. de. P. de P. da I. R. (2016). Povos e comunidades tradicionais de matriz africana: cartilha. Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais.

Brasil, M. da S. (2007). Caderno de Educação Popular e Saúde [Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa – Departamento de Apoio à Gestão Participativa]. http://www.saude.gov.br/bvs

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. (2010). Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política do SUS.

Carneiro, S. (2005). A construção do outro como não-ser como fundamento do ser (Tese de doutorado). Universidade de São Paulo.

Conselho Federal de Psicologia. (2025). Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) junto aos povos quilombolas. www.cfp.org.br

Conselho Federal de Psicologia. (2026). Quantos somos? Https://www2.cfp.org.br/infografico/quantos-somos/.

Da Silva, J., & Silva de Oliveira, F. do N. (2021). Auto etnografia negra feminista: uma experiência educativa de pensadoras negras. Nodos y Nudos, 7(50), 103–114. https://doi.org/10.17227/nyn.vol7.num50-12572 DOI: https://doi.org/10.17227/nyn.vol7.num50-12572

Evaristo, C. (2005). Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In N. M. de Barros Moreira & L. Schneider (Orgs.), Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora (pp. 201–212). Ideia.

Fanon, F. (2020). Peles negras, máscaras brancas (1952). São Paulo: Ubu Editora.

Freire, P. (1987). Pedagogia do Oprimido (Vol. 21). Paz e Terra.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra.

Guimarães, R. S. (2017). Por uma psicologia decolonial: (des)localizando conceitos. In E. F. Rasera, M. S. Pereira, & D. Galindo (Orgs.), Democracia participativa, estado e laicidade: psicologia social e enfrentamentos em tempos de exceção (pp. 257–268). ABRAPSO.

Kilomba, G. (2020). Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Editora Cobogó.

Lei No 4.119, de 27 de Agosto de 1962, Diário Oficial da União (1962).

Mbembe, A. (2018). Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. n-1 edições.

Moten, F., & Harney, S. (2024). Subcomuns: planejamento fugitivo e estudo negro. Ubu.

Rodrigues, G. V. B., Cortez, E. A., de Almeida, Y. S., & dos Santos, E. C. G. (2021). Processo de educação permanente sob a micropolítica do trabalho vivo em ato de Emerson Merhy: reflexão teórica. Research, Society and Development, 10(1), e17610111514–e17610111514. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i1.11514

Rodrigues, M., Lima, A. M., & Silva, M. V. (2022). A Psicologia Social Comunitária e as Epistemologias do Sul: um diálogo necessário em contextos neoliberais. Revista Pesquisas e Práticas Psicossociais, 17(1), 12.

Santos, S. M. A. (2017). O método da autoetnografia na pesquisa sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural: Revista de Ciências Sociais, 24(1), 214–241. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2017.113972

Silva, G. M. da. (2020). Mulheres quilombolas: afirmando o território na luta, resistência e insurgência negra feminina. Mulheres Quilombolas: Territórios de Existências Negras Femininas, 51–58.

Silva, J. da, & Euclides, M. S. (2023). Autoetnografia feminista negra dialogada: referência de epistemologias possíveis. Semina: Ciências Sociais e Humanas, 43(2), 175–186. https://doi.org/10.5433/1679-0383.2022v43n2p175 DOI: https://doi.org/10.5433/1679-0383.2022v43n2p175

Souza, N. S. (2021). Tornar-se negro: ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Editora Schwarcz-Companhia das Letras.

Published

2026-07-11

How to Cite

Rodrigues Fonseca, F., Ribeiro da Silva, I., & de Fátima Moraes Nina, S. (2026). Care, Psychology and Popular Health Education: An Autoethnographic and Decolonial Essay Based on Experiences in a Quilombola Context. Brazilian Journal of Rural Education, 11, e20623. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e20623

Issue

Section

Dossiê: Saúde Mental em Comunidades Educativas Rurais, Ribeirinhas, Quilombolas e Indígenas: desafios e possibilidades