Formação de formadores na Educação do Campo e a compreensão do trabalho como princípio educativo: análise de experiências de sua incorporação à prática docente nos Institutos Federais de Educação de Brasília, Pernambuco e Catarinense

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e19220

Palavras-chave:

educação do campo, trabalho como princípio educativo, formação de formadores, formação e práxis docente.

Resumo

Este artigo é produto de nosso estágio de Pós-doutorado do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Brasília ‒ PPGE UnB, na linha de Educação Ambiental e Educação do Campo ‒ EAEC, sobre a formação de formadores no âmbito da Educação do Campo ‒ EdoC. Partimos da compreensão de como o Trabalho como Princípio Educativo é incorporado à prática docente dos educadores dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília ‒ IFB, de Pernambuco ‒ IFPE e do Catarinense ‒ IFC. O objeto tem substancial relevância sociopolítica e educacional na Educação do Campo dos Institutos Federais de Educação, partindo de um trabalho de pesquisa e curso de formação desenvolvido para os docentes dessas instituições em resposta a demandas na Linha EAEC. A EdoC defende o direito à formação continuada como condição essencial para qualificar o trabalho docente e vem construindo também uma forte relação com a Rede Federal de Educação Profissional existente em nosso país. Com abordagem qualitativa e exploratória em entrevistas, vivências, encontros, grupos de estudos e um curso de formação de formadores, analisamos a categoria Trabalho como Princípio Educativo na formação e práxis docente e as relações com a Educação do Campo.

 

Palavras-chave: educação do campo, trabalho como princípio educativo, formação de formadores, formação e práxis docente.

 

Training of trainers in Rural Education and the understanding of work as an educational principle: an analysis of experiences regarding its incorporation into teaching practice at the Federal Institutes of Education of Brasília, Pernambuco, and Catarinense

ABSTRACT. This article is a product of our Postdoctoral internship in the Postgraduate Program in Education at the University of Brasília ‒ PPGE UnB, in the field of Environmental Education and Education for Rural Areas ‒ EAEC, on the training of teachers trainers in the scope of Education for Rural Areas ‒ EdoC. We start from the understanding of how Work as an Educative Principle is incorporated into the teaching practice of educators at the Federal Institutes of Education, Science and Technology of Brasília ‒ IFB, Pernambuco ‒ IFPE and Catarinense ‒ IFC. The object has substantial socio-political and educational relevance in Education for Rural Areas, at the Federal Institutes of Education, based on research work and training courses developed for teachers at these institutions in response to demands in the EAEC field. EdoC defends the right to continuing training as an essential condition to qualify for the teaching work and has also been building a strong relationship with the Federal Professional Education Network existing in our country. With a qualitative and exploratory approach in interviews, experiences, meetings, study groups and a training course for teachers, we analysed the category of Work as an Educational Principle in teaching training and praxis and the relationships with Education for Rural Areas.

Keywords: education for rural areas, work as an educative principle, training of teachers, training and teaching praxis.

 

Formación docente en educación del campo y la comprensión del trabajo como principio educativo: un análisis de las experiencias de su incorporación a la práctica docente en los Institutos Federales de Educación de Brasilia, Pernambuco y Santa Catarina

RESUMEN. Este artículo es el resultado de nuestra investigación postdoctoral en el Programa de Posgrado en Educación de la Universidad de Brasilia (PPGE UnB), en la línea de Educación Ambiental y Educación del campo (EAEC), sobre la formación de formadores en el ámbito de la Educación del campo (EdoC). Partimos de la comprensión de cómo el Trabajo como Principio Educativo se incorpora a la práctica docente de los educadores de los Institutos Federales de Educación, Ciencia y Tecnología de Brasilia (IFB), Pernambuco (IFPE) y Santa Catarina (IFC). El tema tiene una relevancia sociopolítica y educativa sustancial en la educación del campo y en los Institutos Federales de Educación, y se basa en un trabajo de investigación y en un curso de formación desarrollados para docentes de estas instituciones en respuesta a las demandas de la línea EAEC. La EdoC defiende el derecho a la formación continua como condición esencial para cualificar el trabajo docente y, además, ha venido construyendo una sólida relación con la Red Federal de Educación Profesional en nuestro país. Mediante un enfoque cualitativo y exploratorio, a través de entrevistas, experiencias, reuniones, grupos de estudio y un curso de formación docente, analizamos la categoría del Trabajo como Principio Educativo en la formación y la práctica docente, así como su relación con la Educación del campo.

Palabras clave: educación del campo, trabajo como principio educativo, formación docente, formación y práctica docente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Helder Molina Molina, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

Professor Adjunto de Políticas Públicas, Economia e Política da Educação, e Gestão, da Faculdade de Educação da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana. Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PPFH-UERJ. Orientador: Prof. Dr. Gaudêncio Frigotto. Tese defendida e aprovada, com louvor, indicada para publicação, em 13/08/2012. Políticas Públicas, Formação Humana e Sindicalismo: "Sindicalismo: Movimento com Sinais Trocados - Entre a Subversão e a Adaptação ao Modo de Produção Capitalista". Professor da Faculdade de Educação da UERJ, desde 2007, nas Disciplinas: Trabalho e Educação e Desenvolvimento Profissional; Educação e Movimentos Sociais; Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores, Políticas Públicas; Pedagogia nas Instituições e Movimentos Sociais). Agora nas Disciplinas: Economia e Financiamento da Educação; Gestão Democrática; Conselhos e Controle Social da Educação. Membro do Grupo de Pesquisa: Grupo THESE - Projetos Integrados de Pesquisa - UERJ-UFF-FIOCRUZ. Mestre em Educação, pelo Programa de Pós Graduação em Trabalho e Educação, da Faculdade de Educação da UFF - Universidade Federal Fluminense (2004). Dissertação: Sindicalismo, Políticas Públicas, Educação e Neoliberalismo: A Travessia Contraditória - As Políticas de Educação de Trabalhadores. Pós Graduado Latu Sensu (Especialista) em História do Brasil (Economia, Sociedade, Estado, Poder, Ideologia e Cultura) pela Universidade Cândido Mendes - UCAM. (2006) Dissertação: A Transição da Escravidão ao Trabalho Assalariado no Brasil: Origens do Assalariamento e dos Sindicatos. Graduado em História (Licenciatura e Bacharelado)pela Universidade Federal Fluminense - UFF. (1998). Foi professor da Universidade Estácio de Sá, de 2003 a 2006, no curso de pedagogia, nas disciplinas: História da Educação; Sociologia da Educação; Didática da Educação Profissional; Pesquisa e Prática em Educação; Orientação de Monografia e Projetos de Pesquisas; Teoria e Metodologia Científica (2003-2006). É Consultor e Assessor em Formação Política, Planejamento Estratégico Institucional e Projetos de Educação, desenvolvendo cursos, projetos e assessorias para sindicatos, movimentos sociais, instituições educacionais.Tem experiência na área de Gestão e Políticas Públicas, Economia e Política da Educação, Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores, Trabalho, Sindicalismo, Educação e História, atuando principalmente nos seguintes temas:Políticas Públicas, Educação de Jovens e Adultos, Planejamento e Gestão, Direitos Sociais, Direitos dos Trabalhadores, Política e Ideologia, Formação Humana e Formação Política.

Mônica Castagna Molina, Universidade de Brasília - UnB

Pós-Doutora em Educação pela UNICAMP(2013). Professora Associada da Universidade de Brasília (UnB), do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural. Diretora do Centro Transdisciplinar de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural, da FUP-UnB, de 2006 a 02\2022 .Foi Coordenadora da Linha de Pesquisa Educação Ambiental e Educação do Campo, do PPGE-UnB, de 2014-2020.Líder ( 2014-atual) , do Grupo de Estudos e Pesquisas em Materialismo Histórico-Dialético e Educação, cadastrado no Diretório de Grupos do CNPq. Coordena atualmente o Eixo 7, que congrega 15 universidades públicas que pesquisam Educação Superior do Campo, como parte da pesquisa Políticas, gestão e direito à educação superior: novos modos de regulação e tendências em construção vinculada à Rede Universitas. Coordenou a Pesquisa Educação do Campo e Educação Superior: Uma Análise de Práticas contra-hegemônicas na formação de profissionais da Educação e das Ciências Agrárias nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte (2013-2017), financiada pela CAPES. Coordenou a II Pesquisa Nacional da Reforma Agrária, financiada pelo IPEA, em 2013-2016. Coordenou a Pesquisa Acesso ao ensino superior: métodos e processos de formação de professores nos sistemas universitários de Cuba e do Brasil, vinculado ao Projeto de Cooperação Internacional entre o Brasil e Cuba, financiado pela CAPES no período de 2010-2014. Implementou e coordenou o curso de Licenciatura em Educação do Campo, da FUP\UnB, de 2007 a 2011. Coordenou a Pesquisa "A educação Superior no Brasil (2000-2006): Uma Análise Interdisciplinar das Políticas para o Desenvolvimento do Campo Brasileiro", financiada pelo Observatório de Educação da Capes, envolvendo uma rede de universidades. Coordenou o PRONERA e o Programa Residência Agrária. Participou da I Pesquisa Nacional da Reforma Agrária (I PNERA) em 2003-2004. Seus estudos e pesquisas concentram-se principalmente nos seguintes temas: Educação do Campo, Formação de Educadores, Políticas Públicas, Reforma Agrária, Desenvolvimento Sustentável.

Referências

Altieri, M. (2002). Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba, RS: Ed. Agropecuária.

Araújo, R. M. de L., & Frigotto, G. (2015). Práticas pedagógicas e ensino integrado. Revista Educação em Questão, Natal, 52(38), 61-80. DOI: http://dx.doi.org/10.21680/1981-1802.2015v52n38id7956.

Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Britto, V. (2023). Um em cada cinco brasileiros com 15 a 29 anos não estudava e nem estava ocupado em 2022. Agência IBGE. Notícias. Recuperado de: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38542-um-em-cada-cinco-brasileiros-com-15-a-29-anos-nao-estudava-e-nem-estava-ocupado-em-2022#:~:text=O%20n%C3%BAmero%20de%20jovens%20que,milh%C3%B5es%20(20%2C1%25).

Caldart, R. S. (2009). Educação do Campo: notas para uma análise de percurso. Trabalho Educação Saúde, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, 35-64. DOI: https://doi.org/10.1590/S1981-77462009000100003.

Caldart, R. S. (2012). Educação do Campo. In Caldart, R., et al. (Orgs.). Dicionário da Educação do Campo (pp. 259-267). Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular.

Caldart, R. S. (2015). Sobre a especificidade da Educação do Campo e os desafios do momento atual. Mimeo.

Ciavatta, M. (2001). A formação integrada: a escola e o trabalho como lugares de memória neste início de século. In Frigotto, G., & Ciavatta, M. (Orgs.). Teoria e educação no labirinto do capital (2a ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Debate (2010). Texto para Discussão elaborado pelo MEC ‒ Proposta de Resolução. Brasília: MEC. Recuperado de: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=6695-dcn-paraeducacao-profissional-debate&Itemid=30192.

Freire, P. (2010). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.

Frigotto, G. (Org.) (2018). Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: relação com o ensino médio integrado e o projeto societário de desenvolvimento, Rio de Janeiro: UERJ/LPP.

Frigotto, G., Ciavatta, M., & Ramos, M. N. (Orgs.) (2012). Ensino médio integrado: concepções e contradições (3a ed.). São Paulo: Cortez.

Gil, A. C. (2008). Como elaborar projetos de pesquisa (4a ed.). São Paulo: Atlas.

Governo Federal anuncia 100 novos Institutos Federais no Novo PAC (2024). Brasília: Casa Civil. Recuperado de: https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/governo-federal-anuncia-100-novos-campi-de-institutos-federais#:~:text=O%20Governo%20Federal%20anuncia%20na,t%C3%A9cnicos%20integrados%20ao%20ensino%20m%C3%A9dio.

Hage, S. M., Antunes-Rocha, M. I., & Michelotti, F. (2021). Formação em Alternância. In: Dias, A. P., Stauffer, A. B., Moura, L. H. G., & Vargas, M. C. (Orgs.). Dicionário de agroecologia e educação (pp. 429-437). São Paulo: Expressão Popular; Rio de Janeiro: EPSJV. Recuperado de: https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/dicionario_agroecologia_nov.pdf. Acessado em: 11 abr. 2024.

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2024). Censo da Educação Básica 2023: notas estatísticas. Brasília: INEP. Recuperado de: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2023.pdf.

Konder, L. (1994). O que é dialética. Rio de Janeiro: Brasiliense.

Kuenzer, A. Z. (1985). Pedagogia da fábrica: as relações de produção e a educação do trabalhador. São Paulo: Cortez.

Kuenzer, A. Z. (2000). O ensino médio agora é para a vida: entre o pretendido, o dito e o feito. Educação & Sociedade, 21(70), 15-39.

Kuenzer, A. Z., Abreu, C. B. M., & Gomes, C. M. A. (2007). A articulação entre conhecimento tácito e inovação tecnológica: a função mediadora da educação. Revista Brasileira de Educação, 12(36), 462-473.

Libâneo, J. C. (2004). Organização e gestão da escola: teoria e prática (5a ed.). Goiânia: Alternativa.

Lüdke, M., & André, M. E. D. A. (1986). Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU.

Marx, K., & Engels, F. (2005). A ideologia alemã. São Paulo: Martin Claret.

Minayo, M. C. S. (Org.) (2001). Pesquisa social: teoria, método e criatividade (18a ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Ministério da Educação ‒ MEC (s.d.). Instituições da Rede Federal. Recuperado de: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/ept/rede-federal.

Molina, M. C. (2014a). Análises de práticas contra-hegemônicas na formação de educadores: reflexões a partir do Curso de Licenciatura em Educação do Campo. In: Souza, J. V., et al. (Orgs.). O método dialético na pesquisa em educação (pp. 263-290). Campinas, SP: Autores Associados.

Molina, M. C. (2015). A Educação do Campo e o enfrentamento das tendências das atuais políticas públicas. Educação em Perspectiva, 6(2). DOI: https://doi.org/10.22294/eduper/ppge/ufv.v6i2.665.

Molina, M. C. (Org.) (2014b). Licenciaturas em Educação do Campo e o ensino de Ciências Naturais: desafios à promoção do trabalho docente interdisciplinar. Brasília: MDA.

Molina, M. C., Jesus, S. M. S. A., & Fernandes, B. M. (Org.) (2004). Contribuições para a construção de um projeto de Educação do Campo. Brasília: Articulação Nacional por uma Educação Básica do Campo.

Pacheco, E. (2015). Fundamentos político-pedagógicos dos Institutos Federais: diretrizes para uma educação profissional e tecnológica transformadora. Natal: IFRN.

Pacheco, E. (2020). Institutos Federais: o inédito viável. Opinião. Sul 21. Recuperado de: https://sul21.com.br/opiniao/2020/08/institutos-federais-o-inedito-viavel-por-eliezer-pacheco/.

Parâmetros Curriculares Nacionais: matemática (1997). Texto elaborado Secretaria de Educação Fundamental. Ministério da Educação. Brasília: MEC/SEF.

Ramos, M. (2005). Possibilidade e desafios na organização do currículo integrado. In Frigotto, G., Ciavatta, M., & Ramos, M. N. (Orgs.). Ensino médio integrado: concepções e contradições (3a ed.). São Paulo: Cortez.

Ribeiro, E. R. (2022). Rede Federal de Ensino. Gestrado/UFMG. Belo Horizonte. Recuperado de: https://gestrado.net.br/verbetes/rede-federal-de-ensino/.

Saviani, D. (2007). Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Revista Brasileira de Educação. 12(34), 152-180.

Schlesener, A. H., & Lima, M. F. (2021). Reflexões sobre a precarização do trabalho docente no ensino superior brasileiro. Práxis Educativa, 16, e2115116, 1-17. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.16.15116.003.

Downloads

Publicado

2026-07-01

Como Citar

Molina, H. M., & Castagna Molina, M. (2026). Formação de formadores na Educação do Campo e a compreensão do trabalho como princípio educativo: análise de experiências de sua incorporação à prática docente nos Institutos Federais de Educação de Brasília, Pernambuco e Catarinense. Revista Brasileira De Educação Do Campo, 11, e19220. https://doi.org/10.70860/ufnt.rbec.e19220

Edição

Seção

Artigos / Articles / Artículos